13 fevereiro 2009
Incerteza - por Alba Vieira
Plantei certezas
Deu o inusitado
Nada é certo
Que importa a cor
Do que incolor de fato é
Que importa a língua
Do que fala por si só
E o solo, que importa
Do que sola: monólogo
E a luz, que importa
Do que é treva: egoísmo.
Sentir dor ou não
É irrelevante, pois
Também passará.
Como já disse o poeta, “É impossível ser feliz sozinho” e “O amor só é bom se doer”, portanto…
Amar é sofrer e chorar, mas é viver! Amar é ter ciúmes e ficar magoada, mas é viver! Amar é cuidar e abdicar de algumas coisas, mas é viver!
Quando a gente perde o amor e fica sozinha, apenas com as lembranças, ainda assim é viver!
De que adiantaria não sofrer, não chorar, não ter ciúme, não ficar magoada, não cuidar e não ter que abdicar de nada, mas não viver?
Pois como já disseram, “Viver sem amar não é realmente viver” e “A medida do amor é amar sem medida”.
Se o horror, o crime e os absurdos cometidos sobre essa terra em cadeia de humanos sobre humanos não têm cor, raça e razão; também o Amor é para todos independente de cor, raça e razão. O Amor é a causa das soluções e suas fórmulas; dignifica e transforma; edifica e amplia; o Amor é em si a Razão da lógica, sem o Amor não há lógica e a Lógica vai sempre se apresentar pela Razão (do) Amor.
Resposta a “O Homem no Lixo”, de Ana.
Pediram que eu desse o recado.
Se ao menos fosse um recado agradável, que felicidade trouxesse a quem o recebesse…
Mas não, era um recado que se sabia de antemão traria de volta amargas vivências.
Fiquei entre a cruz e a espada – não podia me negar a fazê-lo - e não queria presenciar, de novo, na minha frente, uma alma triste, arrependida de atos não cometidos nesta encarnação.
Pensei, repensei e, embora num primeiro momento houvesse decidido por não passar o recado, preferi arranjar um modo que, mesmo em desacordo com minha forma de ser, deixasse ambas as partes em paz.
Usei de minha criatividade e fiz um enredo plausível, aproveitando um bendito gancho na conversa que, felizmente, foi absorvido como absolutamente real pela pessoa que deveria receber o recado.
Agora, depois do problema solucionado, fico eu em conflito com os meus deveres para com a verdade e, mais uma vez, me prometo não entrar em outra armadilha.
Num destes dias em que a gente passa por um lugar da infância em que viveu e fica pensando, meditando, passando um filme pela cabeça, de quedas, lugares, pessoas, quedas, choros, descobertas e mais quedas (pois é, tenho ambliopia, doença de nascença que limita em dez por cento a visão do olho direito – até descobrirem eu vivia caindo e colecionando cicatrizes na cabeça). Eu vi o muro! Famoso muro de pedras em que eu pulava, juntamente com os meus amiguinhos do nada-tudo-por-fazer, em atos heróicos de exibicionismo e de alegria de criança mesmo.
Fui de imediato ao encontro do muro, esqueci até do que ia fazer naquele dia. Aliás, este momento se tornou o ponto máximo do meu dia. Eu ia ao encontro do muro como quem encontrava a infância, como quem tinha um encontro marcado consigo mesmo, onde poderia olhar pra mim e dizer “nossa, como você cresceu”. Olhei para o muro, aquele colosso dos meus primeiros anos não passava de um parapeito de escada. Agora ele era minúsculo, um pouco acima dos meus joelhos de adulto. Eu apenas sorria e não acreditava.
O muro foi um obstáculo na minha vida que parecia intransponível. Difícil de passar adiante como muitas outras coisas, como o medo de andar de ônibus sozinho, a descoberta de que um dia ia morrer, a primeira vez que me perdi de meus pais na praia e guardei durante todo tempo um pedaço de cachorro-quente, o dia que comecei e terminei a escola, todas as provas, todos os professores, todos os amores perdidos e encontrados, todos os medos. Parecia uma barreira insuperável o vestibular. Na faculdade, era uma batalha me formar. Formado, a briga era pra me firmar. E assim fui superando cada obstáculo.
A melhor maneira de medir o tamanho da dificuldade é medir o tamanho do muro. Pude me tornar maior do que ele, mas para superá-lo, tive que respeitar o fato de que, um dia, ele merecia um sacrifício imenso para realizar. Foi a minha Grande Muralha da China. Senti uma coisa estranha ao constatar, sentado no muro, de que as coisas na minha vida podem até ser difíceis agora. Aguardo ansiosamente o dia em que se tornarão janelas de açúcar, em que poderei abri-las e saboreá-las como doces finos de maracujá e de limão.
Fiz uma coisa fantástica naquele dia. Essas coisas que só a gente sente prazer e ninguém entende nada. Todos olhavam para aquele adulto sem noção de juízo que pulava feito bobo de um parapeito de escada ridículo. E eu era o sorriso mais singelo, mais sublime, que não se encontrava no rosto de ninguém que passava na rua naquele momento. Que venham mais muros, mais desafios e coisas importantes a conquistar nessa vida.
Bruno D’Almeida http://comendocomfarinha.blog.terra.com.br
Meu corpo grita
Meu corpo exclama
Meu corpo reclama
Meu corpo chora
Meu corpo aclama
Meu corpo sua
Meu corpo anda
Meu corpo nada (num vai-e-vem),
Meu corpo emerge, imerge
E não conhece ninguém.
Meu corpo fica paralisado dentro do trem
Meu corpo na rua vagando…
Meu corpo sentado no banco da praça
E nem sente o tempo passar.
Meu corpo flutua…
Meu corpo voa sem precedente.
Meu corpo vai
Meu corpo morre,
Mas vive numa boa!
Meu corpo numa janela à procura das multidões!
Meu corpo balança,
Mas volta a sentir o chão.
Meu corpo não é nada diante do cosmo
Meu corpo vira bicho
Meu corpo é puro pó…
Dele veio,
Dele se vai!
Meu corpo na areia
Meu corpo é energia/sinergia
Meu corpo é atração/retração
Meu corpo é tudo e ao mesmo tempo não vale nada!
Meu corpo é santuário!
Meu corpo é reflexo sem nexo
Meu corpo é complexo que não tem resposta pra tudo…
Incompleto de ser o que não tem.
Meu corpo é meu corpo!
Vou doar para alguém
Porque os trapos vão estraçalhar nas terras do além!
Meu corpo é só um corpo…
Ele vai ficar na mente de outros,
Vai ser estudo nem de tudo,
Mas as marcas ficarão para todo o sempre na memória…
Este é meu corpo e nada mais.
Deus, imagem refletida por humanos
Num espelho de turva superfície
Quão mero e vão artífice
Superficialmente crida, bordados
Às bordas muito quebrados…
Descrença de deus, o humano
Que se crê sobre-hermano
Solidão que se expressa
Morte que se apressa
Vazio que se instala
Na insuficiência de ser
Numa existência do ter
Que, frágil, estala.
Atuar no que está a caminho. O futuro é possibilidade. Buscar o caminho do meio.
A tentação para mudanças nos cerca por todos os lados. A vida pede que nos transformemos.
Não há como estagnar, marcar passo, mas é preciso seguir o fluxo. Não exigir que nós ou os outros façam grandes viradas. Dizer que agora estou completamente diferente, que sou outra pessoa, é enganação e, citando Renato Russo, “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”.
Hoje fixei meu olhar no chão e encontrei patinhas de gato marcadas no piso de cimento. Fiz logo a analogia. Quando saltou, o gatinho tocou o cimento ainda molhado. Estava ainda em processo para virar um piso forte, resistente. Naquele momento ainda era mole, moldável, ainda permitia sobre ele a ação do (in)externo: o gato, com seu peso, sua atitude, o molde de sua pata. Marcou definitivamente a presença naquele solo. A marca do gato no piso, documentando de forma nada indelével aquele instante, dando a sua contribuição, se incorporando ao solo antes liso, sem graça, agora cheio de vida. A partir de agora, aqueles que passam e dão conta daquelas marcas, as pegadas do gato, identificam toda a cena e podem mesmo fantasiar sobre o acontecimento, pintando o gato, o piso, o dia e o mundo ao redor com suas próprias cores.
Transformar é agir, antes que a situação já esteja totalmente definida. Antes que tenhamos secado para sempre. Enquanto houver movimento, vida - já que o equilíbrio, a estagnação é a própria morte -, podemos ser mais do que somos e dar colorido às nossas vidas, ainda que tenhamos quase a certeza de que já não dá mais para ser diferente em determinados aspectos. Ninguém está totalmente cristalizado. Nunca diga: meu tempo já passou.
Relações que se constroem em pilares
de víboras. Relações que se fazem
nutrir da desconfiança
e jogos de mentira.
O amor
O humor
O rumor
De ramos
De dor
De rimas
De cor
De cismas
Seja como for
Estar em cima
Ou embaixo
Estar de um lado
Ou de outro
Acordar ou dormir
Parar ou seguir
Nada se encerra
Num sentido único
Isolado, absoluto
Só se completa
Ou se liberta
De acordo
Com o contexto.
Já repararam como as pessoas andam sendo nojentamente espertas desde cedo? Quase não existem mais pessoas ingênuas, quase não existe mais respeito entre as pessoas, quase não existe mais conquista e tempo pras coisas acontecerem, quase não existe mais tanta coisa boa, que acho que eu me perderia escrevendo todas elas. As meninas andam cada dia mais promíscuas, mais nojentas, mais “putinhas de rua”, como diz o meu irmão, e isso me irrita, sei lá, fico com vontade de bater em certas garotas. O mais estranho é que está havendo uma inversão de valores, a maioria dos garotos que eu conheço gostaria de namorar e se aquietar, mas as meninas não querem nada sério. É tão estranho não existir mais romantismo e coisas bonitas, e me irrita saber que, onde ainda existe, as pessoas não dão valor, principalmente as meninas.
Não sei se eu sou lerda, ingênua, idiota, tapada ou o que quer que seja, mas prefiro ser uma dessas coisas (ou essas todas… hahahah) do que me vulgarizar a ponto de fazer algo que possa me colocar em risco, de qualquer forma que seja. Eu não acho bom, eu não acho bonito, eu não acho legal, eu só acho que o mundo está virando uma grande palhaçada e não aguento mais viver por aqui!
Me chamam de avó, de retrógrada, de maluca, mas eu sei lá, cansei de tentar ser mais moderna. Sabe aquela propaganda do “sou assim e sou feliz”? Então, é meu lema a partir de agora.
Antes assim e bem, do que moderna e perdida.
Enfim… A Vida Continua.
E ai de quem fizer gracinhas do tipo “ela não bebe, não fuma e não fode”. Humpf, odeio essa brincadeira. ò.ó
blah
fui.
Desassossegado?
Como explicar esse desassossego?
Esse pragmatismo da minha condição humana?
Desse absurdo?
Por vezes não sou eu
Sem raciocínio, sem personalidade
Uma autobiografia sem fatos, mutilada
Sem afetividade, sem prosa…
Fragmentos da minha dramaticidade
Vida de jogos, de máscaras
Uma existência inviável, inútil, imperfeita,
É tudo tédio, trágico, indiferente
São investigações íntimas
Sensações provocadas pelo anonimato,
Pela cotidianidade de subvida
Universo que interessa somente ao desassossegado…
Já é tempo de buscar novas saídas.
A mente é nossa aliada nessa atitude.
Não podemos estagnar jamais.
Eterna é a ânsia do homem pelo conhecimento.
Louvemos a curiosidade e a atração pelo mistério.
Admitamos que nunca teremos certeza sobre algo.
Um homem muito rico precisava de um relógio novo, não que o dele estivesse quebrado, era porque o que tinha já tinha se tornado “popular”. Não era aconselhável que o continuasse usando e assim foi procurar um modelo mais seleto, como explicou à linda vendedora muitíssimo bem arrumada que lhe servia champagne.
Enquanto isso, um funcionário terceirizado do homem rico foi comprar um relógio novo para seu irmão - quando um rapaz consegue um emprego pela primeira vez merece um relógio de ouro. Mas o funcionário só alcançava relógios de camelô, mas vale a intenção.
- Igualzinho o original pode comparar no Google. - foi o que disse o vendedor enquanto palitava os dentes.
Pensando no relógio como um ideal, quem é o verdadeiro rico? O que troca de ideal por outro mais exclusivo ou que troca para fazer quem ama feliz?
Os movimentos naquela época eram a busca de soluções e pretextos para a repressão e a repressão era a causa dos movimentos… mais tarde tudo viria a fazer parte de uma mesma engrenagem. Foi assim que, quando criança, cri; depois, enquanto a menina ainda lutava para crer, questionei; em seguida quando “ganhava”’ o mundo, cri no ceticismo e… enfim, o mundo me engoliu: sobre a crença, o questionamento e o ceticismo… preciso de todos e evito me aliar a qualquer deles.
A vida havia passado com explosões e calmarias “às quais dedico momentos de devoto” saudosismo. A maturidade não tem fórmulas massificadas (mas, muitas vezes nos massifica) e, em mim, sinto que chega para abertura de portas e janelas de minha casa, para fincar um mastro e erigir minha bandeira, para definir, dar acabamento e depois desasteá-la oportunamente.
(…)
Sempre senti repulsa por rituais muito determinados em seus simbolismos, com característica doutrinária. (…) Seria certo eu querer prender o movimento da história, minha e de outras tantas pessoas? Hoje, a repulsa repousa em meu ser e depois se recicla: sou mais afeita a esses rituais libertários, mas não me tolha ao templo, pois minha efervescência espiritual rompe tais limites.
A família já não era suficiente como fonte de pesquisa, resolvi que viajaria e isso passou a ser uma questão de sobrevivência. Ia, sempre que dava, a algum lugar (…) o que desconhecia ainda aos olhos nus era a “Divina Comédia” e vista naqueles dias era tão real como relatada por Dante: seria tudo um resumo do mundo, da humanidade? Não, ainda não, mas sempre aprenderia alguma coisa.
Existe uma força em mim e me faz tão bem senti-la transitar em mim. Existe o que não é mais morto e a ressurreição é um fenômeno que faço presente dia-a-dia. Acordar é nascer, pois sei que saio de meu próprio “in” a cada vez que acontece o dormir. Sei que dentro há o que negar e que jamais ignorei.
Colher flores é um ato, portanto o terceiro. Amar é um ato, ao seu próximo um resultado de inumeráveis exercícios de sacrifício (superação, na verdade). Tentar entender para amar, talvez seja um erro original e comum. Amar é, na realidade, vários atos. Ser significa aceitar, aceitar não é um ato que exige dinâmica evolutiva, mas também pode ser.
Quero amar o que foi
repelir o presente
alguma coisa errada
nessa lógica dormente
Me entregar à letargia
em atitude pura
de anti-terapia
negação, somente fuga
texto, mais crônica
com molho tarantela
Quebra de espelho
ferradura, pé de coelho
não afastam a ditadura
dos sentimentos ressecados
no limiar dos ciclos
fatos idos, revirados
mexem lá no fundo
em baús criados mudos
arquivos de negação
deletados em backups de salvação.
Acho que a estética é mais “valorizada” porque é mais simples lidar com ela. Se tenho o cabelo cacheado e gosto dele, eu gosto; se apenas tenho, mas outros não gostam, eu mudo. Já o interior provoca polêmicas, debates, e assim a pessoa deve se sentir segura além dos borrões de rímel para defender o interior.
Resposta à “Atitude” de Raquel Aiuendi.
O mundo tá virado
De cabeça pra baixo
Como se mundo tivesse
De fato em cima
Ou embaixo
Qualquer visão holística pode preparar para uma construção de inclusão e a inclusão é um conceito que só pode se tornar completo na prática quando ciente de que livre-arbítrio não é voltar-se contra Deus ou a Criação ou a Lógica, esse conceito (inclusão) só pode se realizar de maneira definitiva quando se sabe que livre-arbítrio é, na verdade, a iniciativa de complementação dentro de uma lógica pré-pós-estabelecida (do contrário, livre-arbítrio designaria abertura para o desmanche). O processo de inclusão é sempre um processo que segue a dinâmica da construção e reconstrução constantes, conceitos-questionamentos-reconceitos… assim por aí.
Descobrir-se pequeno num processo de lógica (seja eco, psico etc.) é notar-se imprescindível numa intrincada cadeia cuja base sempre serão os “pequenos”, por isso dadas suas imprescindibilidades. O simples sempre refletirá a verdade do complexo. Voltar-se ao simples sempre é mergulhar na “mágica”, no mistério profundo do “elaborado”, é resultar problemáticas, incógnitas encontrarem soluções. Onde amar é ato simples, também irrevogável; mas é tão complexo o movimento amar, embora simples de ser reconhecido quando presenciado. O mais simples e valioso dos tesouros é o mais intrincado processo de lógica, obviamente por isso Deus veio à Terra, aos humanos, na forma de irmão mostrar-lhes o mistério dos mistérios, a lógica da Lógica, a singeleza da simplicidade: o AMOR.
Por isso, não há inclusão sem lógica.
Pequeno e grande são conceitos de graduação não inerentes à natureza: quando um vírus ataca um organismo sua grandeza se evidencia. Onde coexistência, onde inclusão. Amar equivale a coexistir, a natureza vive seu livre-arbítrio do equilíbrio, vive a lógica na Lógica: o AMOR, mesmo sem saber.
O que diferencia o ser humano é a consciência. Quando humano o livre-arbítrio transforma-se em livre-desequilíbrio e ele pensa arbitrar não somente sobre si mesmo e sim sobre mecanismos que existem, e só existem, para que ele próprio possa ter uma existência sustentável, ao invés de compreendê-los e interagir coerentemente.
O Amor é lógica que vem em fórmulas variadas, lógica que se adapta a DNAs infinitos: não é matemática e nem física, pois estas estão também sujeitas à lógica e o Amor é a lógica da Lógica. Não é disciplina, é disciplinador, é a verdade da origem e do retorno, condição sine qua non de imortalidade e de ressurreição.
Amor pode ser NÃO SER MOR, mas também pode ser PARA SER MOR.
Amor é princípio e fim para o qual fomos criados e através do qual tornados filhos do Criador. Partida e Chegada, o próprio Deus é pelo Amor, é por essa lógica, como ele próprio se apresentou ao humano.
Não há amor sem ser e não se pode ser sem amor. Quem não amor, não é. Quem sim amor, se faz ser. Ser é, portanto, ato constante de fazer-se ser.
Amor é a expressão do infinito, constante, incondicional equilíbrio. Onde Bem e Mal se anulam para serem Amor. Sem despojamento o amor não se faz presente, o amor=equilíbrio é a lógica da impassionalidade do ego humano. Onde passionalidades, não Amor.
Amor não é doutrina, é em si mesmo verdade, onde verdade=equilíbrio, sustentabilidade.
Qualquer lógica (eco, psico, filo etc.) submete-se ao Amor para que exista. Não submissão em conceito de degradação, mas pelo inverso disso (conceito de inclusão e valoração).
Por que as mulheres não se contentam com o momento?
Por que são românticas, paradas, “expectantes”?
Por que não o risco, a incerteza, a emoção?
Eu não sei o que é uma sinceridade intensa
ou uma sincera intensidade;
Por que não vou embora?
Por que não a emoção da espera?
O “será que ele volta?”
“Será que ele liga?”
Ou:
“Será que ela gostou de mim?”
“Será que achou uma porcaria?”
Por que os casais fazem tudo tão perfeito no início?
Por que tudo é tão maravilhoso
e cada um preenche o seu papel de príncipe e princesa?
Por que ninguém pensa:
“Será que ele mija em pé?”
“Será que ela escova os dentes?”
E a toalha molhada na cama,
a roupa suja espalhada
e os bifes queimados?!
Por que o amor é tão bobo e tão descarado?
(Por que tomar banho juntos para ‘quebrar o gelo’?)
Casa redecorada, armário rearrumado.
Por que o amor é tão sério e tão desorganizado?
Por que os papéis correspondem
e depois o trem descarrilha?
Por que encaixamos tão bem
e depois cada um numa trilha?
Por que um sonho tão bom
é tão predestinado?
Por que começa tão bem
e acaba tão errado?
Por que a melhora e a cura
para o que será enterrado?
O par perfeito é a resposta,
pra tudo,
até o que não foi perguntado.
“Você é a mulher dos meus sonhos”,
“Você é o meu sapo encantado”.
Aí, o futebol, os amigos,
os chás, o shopping, trabalho.
A princesa era a fada má;
o príncipe acorda um canalha.
Então, malas feitas, adeus.
Adeus, saudades, mais nada.
Até no rompimento, o cinismo,
o amor que se avacalha.
Período de vida indelével
que se sufoca, se esconde mas não se apaga.
Por que os homens não são mais atentos,
persistentes e cavalheiros?
Por que o amor é um tudo?
E quem não amou não viu nada…
E tudo começa de novo,
com os mesmos, com outros, sei lá.
Felizes dos que, teimosos,
não correm riscos por nada…
Se o horror, o crime e os absurdos cometidos sobre essa terra em cadeia de humanos sobre humanos não têm cor, raça e razão; também o Amor é para todos independente de cor, raça e razão. O Amor é a causa das soluções e suas fórmulas; dignifica e transforma; edifica e amplia; o Amor é em si a Razão da lógica, sem o Amor não há lógica e a Lógica vai sempre se apresentar pela Razão do Amor.
Sobre quantos cadáveres, vítimas de horrores, a humanidade vai continuar a erguer-destruir-erguer nações? Vítimas, populações infinitas de vidas, que em nada contribuíram para a barbaridade contra elas… esse cemitério há de ser, um dia, se já não está acontecendo, a ‘areia movediça’ que irá engolir a podridão.
A dor dos horrores há sempre de ser o empecilho da evolução humana? Avançar em sustentabilidade através da inteligência-amor é mais difícil que a promoção em moto-contínuo de dor e consciência-dor?
Horrores são horrores. Para as vítimas, como todos o sabemos; e, também, para seus patrocinadores e agentes diretos (todos não dormem e, se dormem, têm pesadelos – o peso deles).
A humanidade se arrasta em pesadelos desde séculos a perder de vista; dissemina a doença plantada em sua existência e cultivada por indivíduos ao longo de todos os processos “civilizatórios”. A pré-história ainda é; com diferença dos rótulos, mas a alma da humanidade se entrega à permanência consciente do estado pré-histórico. A alma da humanidade se aprisiona ao estado latente e se deixa manipular utilizando instintos de ferocidade e medo que distancia de outro estado latente de Paz e usufruto, de Amor e sustentabilidade.
Depois que inventaram a internet passei a viver conectada nas notícias, nas coisas que me interessavam e que eu, num pequeno clique no Google, achava.
Depois que inventaram o Orkut achei amigos, conhecidos, colegas e até os não tão amigos, mas bastava me logar e pronto: ali estavam eles todinhos…
Depois que inventaram o MSN passei as tardes conversando com os amigos, aprendi a digitar tão rápido que acho que nunca terei artrose nos dedos; afinal, é muito exercício!
Depois descobri o skype, aí a farra foi total, falei mais que papagaio!
Eu que vivia economizando nas ligações telefônicas passei a falar com amigos, filhos, parentes, com todos os que estavam pertinho (como minha vizinha) e até com aqueles que estavam do outro lado do mundo, como os sobrinhos na Irlanda, filho na Guatemala, amiga no Acre, mãe no Rio, amigos em Recife…
Virei internacional nas ligações sem sentir o peso do real nas minhas costinhas sofridas.
Meus dias se tornaram cheios de novidades e num minutinho eu sabia de tudo.
Às vezes a gente acaba sabendo mais do que deve, mais do que precisa. Fica sabendo das desgraças no fim do mundo, das incertezas, das tristezas das pessoas.
Aí descobri o blog… Nossa! Me lembro que quando ouvi a primeira vez essa palavra achei que tinha entendido outra coisa e me espantei ao me tornar amiga do blog… Coisa boa essa!…
Mas, de repente… xum! Minha amiga Adir, guru e confidente, sumiu.
Eu ficava no MSN : “Cadê vc? Sumiu: caiu? Travou?”
O provedor e o turbo deixaram-na sem conexões.
Foi o sentimento do vazio que me deixou momentaneamente irritada e ao mesmo tempo preocupada.
Será que vamos ter que voltar a escrever cartas?
Será que vamos de novo para os papos telefônicos encurtados preocupados para a conta não vir alta? Isso me fez refletir sobre essa nova vida “internetizada”…
Descobri que, hoje, não posso pensar na minha vida sem estar conectada de forma tão fácil, tão simples.
Aprendi a deletar as coisas sem importância da vida e a guardar em pastas especiais as mais importantes, escanear as boas lembranças e a apagar os pequenos defeitos.
Aprendi a trocar as cores da vida e, assim, com um simples toque de comando, troco o fundo preto pelo azul da felicidade.
Faço pps dos momentos felizes e transformo as alegrias em jpg e, assim, quando bate a saudade vou lá, abro o arquivo e revejo tudo.
Uso o Dicionário e corrijo as palavras duras por expressões mais suaves.
E quando um vírus quer se instalar na minha vida, coloco-o em quarentena…
Aprendi que Cavalo de Tróia não era aquele de Ulisses.
Que memória não era uma característica da raça humana e que alguns computadores podem ter Alzheimer, ou seja, pequenas lembranças…
Descobri que travada não era coisa de ciático e caminhada.
Descobri, enfim, que estar logada não tem nada com drogas, e que depois de virar viciada na net a pessoa tem que se internar num interior qualquer - daqueles onde nem luz elétrica é constante -, passar pela crise de abstinência e dosar a vida em conta-gotas, compartilhar arquivos e fotos e, mais do que isso, compartilhar com amigos não só a voz, mas principalmente a presença física, a vida.
Enfim, só fiquei mais tranqüila quando minha amiga entrou no MSN e me disse que o técnico da Velox estava arrumando, corrigindo, consertando e que logo poderíamos de novo conversar e colocar os nossos papos em dia.
UFA!