Duelos Literários

REVELE O ESCRITOR QUE EXISTE EM VOCÊ! NESTE BLOG PRETENDEMOS EVIDENCIAR A DIVERSIDADE DE INTERPRETAÇÕES NA COMPOSIÇÃO DOS TEXTOS. ESCREVA SOBRE OS TEMAS LISTADOS NAS CATEGORIAS (OU PROPONHA OUTROS), DEIXE SEU TEXTO EM “COMENTÁRIOS” E NÓS POSTAREMOS.

13 fevereiro 2009

O Inverno é uma Boa Pedida - por Luiz de Almeida Neto

 

 

Inverno é bom
de frente pra fogueira
com uma dose de rum.

 

Seria conhaque
não fosse meu gosto,
mas tem coisas que não podem faltar.

 

O calor humano
O aconchego dos corpos
Pra aguentar o frio de nossas almas
O calor de palavras dóceis
Pra acalorar o gélido pavor
dos temores da vida.

 

A quentura de um abraço carinhoso
Pra lembrar que sempre há um canto
quentinho
pra passar a chuva
Uma esfregadinha entre as mãos
entrelaçando-as
pra saber que sempre tem uma casa
Protegida da neve constante
que cai lá fora

 

E a gente ainda pode arranjar
um cobertor bem quentinho,
esquentar os pezinhos,
tudo bem juntinho.
E esperar que a frieza em geral passe
conservando o calor do nosso carinho
chamando por apelidos
arengando sem dizer nada com nada
até que a sobriedade indiferente
se extinga
se esvaia
num copo de rum
na loucura do nosso calor
que esquenta o mundo
de cada um.

 

criado por shintoni    15:28 — Arquivado em: Inverno, Luiz de Almeida Neto, Poesias

Ego - por Raquel Aiuendi

 

 

Que importa a cor

Do que incolor de fato é

Que importa a língua

Do que fala por si só

E o solo, que importa

Do que sola: monólogo

E a luz, que importa

Do que é treva: egoísmo.

 

 

criado por shintoni    15:00 — Arquivado em: Poesias, Raquel Aiuendi, Reflexões

15 Anos - por Raquel Aiuendi

 

 

Saudade da saudade sem idade

Quando amor é pura pureza

Quando a idade traz a beleza

E casa juventude e maturidade.

 

Quinze anos nos fazem

Debutantes da nossa diferença

Quinze anos nos trazem

Certeza de toda nossa crença:

 

Que amor é sempre algo maior

Nunca tirania ou escravidão

Vergonha é sentimento menor

Inferioriza o amor e a paixão.

 

Amor imaterial é maior que nós

Engrandece e torna imortal

E unido o que antes era a sós

Hoje, terna felicidade natural.

 

 

criado por shintoni    11:53 — Arquivado em: Fases, Poesias, Raquel Aiuendi

O Amor Mais Disputado - por Passa-Tempo

 

 

Ha… Ha… Ha…
Morreu o Padroeiro da paixão,
Gargalhe na cova dos amores impossíveis,
Olhe a sete palmos,
Veja se são visíveis,
Os corações despedaçados
Por sentimentos atordoados.

 

Ha… Ha… Ha…
Ria mais um pouco,
Desça comigo neste túmulo
Verás que é apenas um acúmulo
De podridão amorosa jogada fora
Para ser comida por um Porco.

 

Ha… Ha… Ha…
Gargalhe com toda força,
Bote pra fora o sentimento,
Isso se ainda houver algum.
Não choramingue, não quero ouvir seu lamento,
Guarde essa dor pra você,
Pois quem entra aqui já está acabado,
Engula esse choro e morra pelo seu pecado.

 

Shuu…
Ria, mas lentamente,
Respire fundo e devagar,
Não precisa gargalhar,
Seu tempo se esgotou.
Parabéns, você morreu,
Seu coração parou
E o ódio o dominou.

 

Mas não se vingue,
A vingança te matará outra vez,
Ela virá como uma rosa espinhosa
Que desce pela sua garganta te rasgando
E envenenando.

 

Rs…
Agora, olhe para cima,
Pode continuar deitado,
Pago pra ver você levantar,
Agora aí é o seu lugar.
Leia, assim diz a lápide:
“Ninguém dorme de olho fechado,
O coração que se manteve enganado
Aqui jaz… o amor mais disputado.”

 

 

criado por shintoni    11:27 — Arquivado em: Aqui Jaz..., Para Rir, Passa-Tempo, Poesias

Pôr-do-sol - por Marcello Amorim

 

 

De vermelho reluzente hoje vi o sol se pôr,
É como ser atingido por uma dose da própria realeza divina,
Ao olhar para o horizonte ao fundo um arco-íris,
Como a emoldurar as matas…

 

Fiquei atônito ao cair em mim,
Sou premiado,
Presenteado por esse fenômeno triunfal,
Esse império de beleza chamado pôr-do-sol!

 

 

criado por shintoni    11:11 — Arquivado em: Dádiva, Marcello Amorim, Poesias

12 fevereiro 2009

Nostalgia - por Leo Santos

 

 

Nostalgia, dizia Saint-Exupéry,
é uma saudade não sei de quê;
portanto não é, o que sinto de você.

 

Talvez seja uma lacuna, sim,
Acho que descobrirei em dias,
Seguindo o conselho do Jobim.

 

Afinal, ele que disse, “a saída é o aeroporto”
Se a Oceania for pátria,
Não voltarei nem morto

 

Mas lá, sei é só terra, sem as virtudes do céu
Será que o lugar encerra,
políticos, Pocotó, e MC Créu???

 

Senão, estarei à vontade
Respirando melhores ares
Conjugado a outros pares

 

E se lá a nostalgia me pegar de verdade,
Rasgando sua máscara saberei,
Que é só um codinome da saudade…

 

 

criado por shintoni    14:51 — Arquivado em: Leo Santos, Nostalgia, Poesias

De Agora ao Zênite - por Ana

 

 

Agora aprendo a amar… Antes,

boba, brincava no bar,

cantando cada cruz-credo!

Deitando, dormindo, doida,

evitando envolvimento…

Fazendo festas e farras

ganhei garanhões, garotos,

hábil em habitar homens

idiotas, imbecis, imaturos.

Jovem, jazia em jejum

de lágrimas, lealdade e lar,

mas Maurício me mirou

numa nuvem de ninar,

os olhos de obsessão.

Parei, pensei, pedi:

quero, quando quiser,

rasgar os rotos revezes,

ser sua, sinceramente,

tecer talismãs, talentos,

urdir úmidas unções,

viver valiosa vaidade:

xales, xícaras, xodós,

zonza zelando o zênite.

 

 

 

Inspirado em “ABC-9”, de Raquel Aiuendi e

“Acróstico”, de Leo Santos.

 

criado por shintoni    12:04 — Arquivado em: Acrósticos, Amor, Ana, Mudança, Poesias, Resposta

Acróstico - por Leo Santos

 

 

Achado alheio, alado, aéreo
Buscando bálsamo boêmio, bebia;
Calado contrito, curtindo cautério,
Deixava doer, destino doía…

 

Esperava esquecer estrela evadida,
Fingindo ficar, frustrado fugia;
Gemido gélido, ganhando guarida,
Homem hercúleo, hiato… hemiplegia.

 

Instinto interno infeliz, ingratidão
Jovem joguete, jeito judiado;
Lágrimas, lâminas, lancetando, lassidão,
Mísera mesmice, mutismo manjado…

 

Nenhuma nova, niilismo nada,
Ode outorgado, outro opera;
Pomar prometido, pândega piada,
Quando quis, querida, quimera…

 

Remoendo restos, rústicos rosto,
Saudade semeando sádico sabor;
Tempo terno tolhido tosco,
Uísque urdindo, úlcera ulterior.

 

Vácuo vampiro, vazio vero
Xucro xodó, xadrez… xeque
Zanzando zonzo, zigue-zague… zero.

 

 

criado por shintoni    11:59 — Arquivado em: Acrósticos, Leo Santos, Poesias

Inveja - por Passa-Tempo

 

 

Tem gente que acha a grama do vizinho a mais verde,

mas no fundo é tudo a mesma merda,

fruto da mesma terra,

adubado por nada mais nada menos que merda.

 

 

Inspirado em “Déjà vu”, de Leo Santos.

 

criado por shintoni    11:47 — Arquivado em: Inveja, Passa-Tempo, Poesias, Resposta

Mulher - por Vicenzo Raphaello

 

 

Nasceu infeliz
bonita mulher

 

Teve
na época errada
uma filha bastarda

 

Mais tarde
dois filhos gerados
com homem apaixonado

 

Família se fez
o tempo passa
a beleza o tempo consome
em outras mulheres
se consola o homem

 

A mulher se desgasta
com a filha bastarda
com a mãe agregada
família esgarçada

 

Alcoólatra
escreve
escreve

 

Doença implacável
mutilada
pulmão corroído
perfurado
o ar não lhe alcança

 

Reencontra na dor
por breve tempo
o homem que um dia
seu amigo foi

 

Breve tempo
o homem se vai

 

Resta a mulher
no quarto azul
do triste hospital
sua última morada

 

Com a filha bastarda
filhos ausentes
morre
deixando tristes imagens
em tristes escritos
da vida sofrida.

 

 

criado por shintoni    11:34 — Arquivado em: Poesias, Solidão, Vicenzo Raphaello

11 fevereiro 2009

Déjà vu - por Leo Santos

 

Eu vi a razão ceder espaço
Ante o instinto animal;
As águas transportando fezes
Ao topo do planalto central
O sofisma enfeitando a árvore
Sem ser tempo de natal
O espinheiro jactando-se de frutos
Que medraram noutro quintal;
Indignidade chutando a barriga,
E nascendo de parto normal;
Mesquinhez recompensando à formiga,
E a cigarra no carnaval.
A farda furtando o ovo,
E confundindo o pardal
Os defensores do povo
Perdidos num bacanal;
Vi muitos recebendo incenso
Outros respirando mal;
E um dragão forte, imenso,
Morando na catedral.
Vi pequena tormenta
Prenunciando um temporal;
Quanto mais a chapa esquenta,
Mais água deixa o sal;
E o pior de viçar o vício,
É a virtude passar mal,
E saber que esse comício,
Ainda está longe do final.

 

criado por shintoni    16:16 — Arquivado em: Déjà vu, Leo Santos, Poesias

Eu Sou… - por Johnson

 

 

Eu sou…

Sou de lua

Sou de tempos

Não tenho entendimento

Sou como o vento…

Sou da terra

Sou do sol

Sol que queima

Derrete;

Destrói;

Sou prisioneiro sem sela

Sou céu sem estrela

Sou só dela

Sou bicho

Sou lixo

Sou do mundo

Sou imundo

Sou feito do pó

Sou sobras da vida

Sou insatisfeito

Mas que jeito?

 

 

criado por shintoni    16:05 — Arquivado em: Eu, Johnson, Poesias

Não sei como começar… - por Ana

 

 

Não sei como começar… Então lá vai: Dane-se!

Dane-se você com suas roupas justas e seus terninhos a la Direito.

Dane-se você com sua fala mansa e seu olhar de corsa abatida.

Dane-se você com seu jogo de cintura e sua eterna diplomacia.

Dane-se você com seu marido perfeito e suas crianças limpinhas.

Dane-se você com seu emprego estável e sua carreira brilhante.

Dane-se você com seu ego inflado e suas contas bancárias.

Dane-se você com tudo o que você tem de bom.

 

Dane-se você e todo o resto.

 

Porque uso roupas largas,

Falo grosso,

Jogo na cara,

Não quero casar,

Não trabalho,

Não tenho grana

E tô na boa!

 

 

criado por shintoni    13:24 — Arquivado em: Ana, Não sei como começar..., Poesias

Ordem de Despejo - por Ana Maria Guimarães Ferreira

 

 

Sensação de casa vazia
Liberdade?
Sensação de solidão
Saudade?
De verdade?
Sensação gostosa
De acordar, olhar e ver
A cama ainda por fazer,
O almoço esfriando na panela
As flores sedentas na janela
O gato de porcelana que não mia
O pássaro de mentirinha
E gritos de mãe chamando:
- Venha para dentro menina
e o som longe perdido
de crianças brincando
escravo de Jó; tira, põe
põe, tira

 

Lembranças vagas, perdidas
Nas fotos amareladas
O do primeiro amor
O do amor primeiro
O do primeiro beijo
O do beijo ligeiro
Olhares apaixonados
Nas fotos amareladas

 

Sorrisos de cumplicidade
No rosto, um bem querer,
Depois o vazio, o nada.
Um casamento desfeito
Um ar de abandonado
Um jeito de gato escaldado

 

Coisas que ficam pra trás
Assuntos mal resolvidos
Promessas não cumpridas
O inquilino do meu coração
Deixou dívidas esquecidas
E um insolvente amor

 

Na sentença final
Com tanta fé e contra fé
O Juiz decreta solenemente

 

desocupe a mente
abandone a emoção
esvazie todas as gavetas
do seu coração
Leve tudo, não esqueça nada
não deixe o pássaro, o realejo
Pois essa é uma ordem
Sumária
De DESPEJO

 

 

criado por shintoni    13:16 — Arquivado em: Ana Maria Guimarães Ferreira, Ordem de Despejo, Poesias

Homem de Segunda Mão - por Ana Maria Guimarães Ferreira

 

 

Carros velhos, usados
Com defeitos a valer
Vazam óleo não engrenam
E que nas ladeiras da vida
Teimam em não subir

 

Voltam sempre para trás
Dão ré para os velhos caminhos
Não têm força na ladeira
E os pneus? Já tão velhinhos

 

Manual já não existe
Perdeu-se ao longo do tempo
A nova dona coitada
Deve ter sido tapeada
Comprando o exterior
Carro velho e batido
Carro usado e remendado
Por um excelente pintor

 

Com o tempo tudo volta.
Os defeitos são iguais
E a dona antes contente
Consegue um novo cliente
Para com todo jeitinho
Passar o bagulho pra frente!

 

 

criado por shintoni    12:59 — Arquivado em: Ana Maria Guimarães Ferreira, Para Rir, Poesias

Caixinha de Costura - por Raquel Aiuendi

 

 

Caixinha de costura
e colcha de retalhos
têm pequenos pedaços
de coisas que faço.

 

Agulha, linha e botão
uso e uso de montão
em bolsa e bolsão
mesmo em biju, cordão.

 

Melhor de tudo é
que caixinha pode ser…
parece mágico, né?
Que costura pode fazer.

 

 

criado por shintoni    12:45 — Arquivado em: Caixinha de Costura, Poesias, Raquel Aiuendi

Saudades de Você - por Ana Maria Guimarães Ferreira

 

 

Saudades de você:
do teu sorriso,
do teu jeito alegre de ser,
das tuas mãos suaves
sobre o meu rosto.

 

Do teu cheiro
que penetra no meu ser
e me faz sonhar.
Dos teus beijos,
raros que me são tão caros.
Dos abraços
que só ameaçam
tocando de leve
nos meus braços.

 

Do teu riso meio fechado,
do teu ar, da tua cara séria,
do teu ar sisudo.
Saudades… saudades.

 

 

criado por shintoni    12:43 — Arquivado em: Ana Maria Guimarães Ferreira, Poesias, Saudade

Mente Inquieta Indisciplinada - por Ana Maria Guimarães Ferreira

 

 

Minha mente inquieta
Indisciplinada
Só quer você

 

Minha mente sem controle
Parece festa de magos

 

E no meio dessa estrada
Me vejo tonta perdida
Fazendo grandes estragos

 

Minha mente quieta
Disciplinada

 

Sabe que não pode ter você

 

E toma o controle exagerado
De fingir não sentir nada
Quando me abraço a você

 

 

criado por shintoni    12:06 — Arquivado em: Ana Maria Guimarães Ferreira, Conflito, Controle, Desejo, Poesias

Poema à Minha Filha - por Ana Maria Guimarães Ferreira

 

 

Tatiana
Você menina mulher
Mulher menina
Que tanto orgulho me traz
Você a amiga presente
De todas a mais capaz

 

De me trazer segurança
De me fazer tão feliz
Você filha querida
Que parece uma menina
E de repente é mulher

 

Capaz de tudo entender
Sem eu precisar explicar
De dar conselhos tão sábios
De me ensinar a sobreviver
De passar amor nos lábios

 

De pintar meu coração
Com cores vivas brilhantes
De mexer com a emoção
De me fazer ter orgulho
De ter te feito querida
Com tanto amor e paixão
Queria ser poeta
E poder te dizer
Que te amo de paixão
Que se você não existisse
Minha vida não seria
Mais que uma mera ilusão
Se você não existisse
Eu não seria quem sou
Seria uma flor amarela
Dobrada nas páginas
De um velho caderno
Servindo apenas para
Lembrar, para marcar

 

Mas você em minha vida
Sempre me faz esquecer
Uma pergunta tão tonta
Uma pergunta tão boba
- “Como pude viver
Antes de ter você?”

 

 

criado por shintoni    11:36 — Arquivado em: Amores de Minha Vida, Ana Maria Guimarães Ferreira, Poesias

Escravos Urbanos - por Casé Uchôa

 

 

Acorda Tom, que já raiou o dia
Urubu já pousou lá no lixão
Vamos lá catar papel, renovar nossa agonia
Que eu até desistiria de viver, humilhação

 

Acorda Tom, vem ver
Que a vida não melhorou
Acorda Tom, vem ver
Deixa de ser sonhador

 

Quem sabe a gente encontre
Nas sobras de um banquete
Algo que se aproveite
Pra matar a nossa fome

 

Quem sabe a gente conte
Com um pouco de sorte
Pra escapar da morte
Mas escapar pra quê?

 

Acorda Tom, vem ver
Que a vida não melhorou
Acorda Tom, vem ver
Deixa de ser sonhador

 

Vem ver que essa cidade
Por falta de caridade
Desde a tua tenra idade
Te largou, te abandonou

 

Vê que a rotina é dura
Não há espaço pra candura
No menino que atura
Do lixo ser catador

 

Vê que não há beleza
Na criança que peleja
Na dor que tudo caleja
Na falta do cobertor

 

Vê que não há poesia
No lixo de todo dia
Desespero que judia
Da alma do sofredor

 

Acorda Tom, vem ver
Que a vida não melhorou
Acorda Tom, vem ver
Deixa de ser sonhador

 

 

Inspirado em “O Homem no Lixo”, de Ana.

 

criado por shintoni    11:32 — Arquivado em: Casé Uchôa, O Homem no Lixo, Poesias, Resposta

10 fevereiro 2009

Caixinha de Costura - por Raquel Aiuendi

 

 

Caixinha de costura
sempre me lembra, só
a infância segura
bem perto da vovó.

 

Ela tinha uma linda
de palha trançada
dentro acolchoada
cheia de agulha, linha…

 

Um dia ela me deu
de presente a caixinha
o tempo a perdeu
ficou uma lembrancinha

 

que é toda revelação
do que a vida costura
ponto-a-ponto no coração
uma profunda candura.

 

 

criado por shintoni    15:41 — Arquivado em: Caixinha de Costura, Poesias, Raquel Aiuendi

Augusto dos Anjos e seus “Versos Íntimos” - Citado por Alba Vieira

 

 

Vês! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão - esta pantera -

Foi tua companheira inseparável!

 

Acostuma-te à lama que te espera!

O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora, entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera.

 

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.

 

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!

 

 

criado por shintoni    15:09 — Arquivado em: Alba Vieira, Li e Gostei, Poesias — Tags:

Por Amor Vale… - por Passa-Tempo

 

 

Por amor vale…

Gritar como louco, perder a cabeça;

Por amor vale…

Chorar de saudade até que adormeça;

 

Por amor vale…

Nadar contra a corrente, vencer barreiras;

Por amor vale…

Plantar bananeira, perder estribeiras;

 

Por amor vale…

Ser do jeito que você sempre quis;

Por amor vale…

Viver sem a vergonha de ser verdadeiramente feliz;

 

Por amor vale…

Subir o mais alto para todo mundo me ver;

Por amor vale…

Chegar lá em cima e dizer que te amo pra quem quiser saber;

 

Por amor vale…

Esquecer o passado presente em mente;

Por amor vale…

Fazer valer a pena no futuro o que a gente sente no presente;

 

Por amor vale…

Esquecer do mundo e viver pra você;

Por amor vale…

Nunca e jamais querer te esquecer;

 

Por amor vale…

Te agradar no mínimo detalhe;

Por amor vale…

Achar engraçado mesmo que você falhe;

 

Por amor vale…

Querer estar ao seu lado até envelhecer;

Por amor vale…

Te acarinhar à noite até adormecer;

 

Por amor vale…

Se preocupar ao máximo com o que é mínimo;

Por amor vale…

Sentir constante falta de seu mimo;

 

Por amor vale…

Passar por cima de tudo pra te ver sorrir;

Por amor vale…

Ficar feliz à noite ao te ver domir;

 

Por amor vale…

Saber o que você quer antes mesmo que fale;

Por amor vale…

Te beijar apenas para que se cale;

 

Por amor vale…

Fazer isso tudo para que seu amor seja meu;

Por amor vale…

Chegar ao final e perguntar: Pelo seu amor, isso tudo valeu?

 

 

criado por shintoni    15:05 — Arquivado em: Amor, Passa-Tempo, Poesias

Cada Qual com Seu Cada Qual - por Raquel Aiuendi

 

 

Cada qual com seu cada qual

Lembra-me gueto e coisa e tal

Coisa que não é muito natural

Coisas que me fazem até mal.

 

Cada qual com seu cada qual

Também lembra outras rimas

Um bolo: você mandou o Lima

Tratou-me como fulana de tal.

 

Cada qual com seu cada qual

Lembra churrasco e quintal

Famílias que não quebram pau

Toda semana se reúnem no final.

 

Cada qual com seu cada qual

É uma fala batida, um clichê

Denota preconceito, pode ser

Isso numa fala bem informal.

 

Cada qual com seu cada qual

Pode ser mudado por hora

Qual nada, com seu cada qual

 

 

criado por shintoni    11:18 — Arquivado em: Cada qual com seu cada qual..., Poesias, Raquel Aiuendi

Cama e Colchão - por Ana Maria Guimarães Ferreira

 

 

Ah! Se eu pudesse ser uma cama
Você se deitaria sobre mim
E eu aqueceria suas noites
E seria macio e doce
o gosto do nosso amor

 

Quando você deitasse a cabeça
No travesseiro eu sentiria seu perfume
Seus cabelos, o suor do seu rosto, a brisa
Do seu corpo e me enrolaria como cobertor
Por sobre você

 

Se eu fosse a cama macia que te aquece,
Ou o cobertor que tira seu frio,
Ou o travesseiro de penas que tanto gostas,
Ou o lençol de linho que amassas
Eu seria feliz em ter-te à noite
Quando o sono te chama e vens a mim
De ter-te de dia quando, cansado,
Procurasses o descanso sobre mim.

 

E quando o dia amanhecesse eu seria
Feliz em ter o lençol enrolado e amarrotado
Ou os travesseiros caídos no colchão,
Ou mesmo o cobertor jogado pelos cantos,
Ou o pijama que jaz morto no chão
Ao lado de uma camisola suada e tão amada.

 

Se eu pudesse ser a cama quando te fosses
Encontrarias em mim a última morada
E eu teria a lembrança do teu corpo ainda quente
A se despir para a última caminhada
E enrolada em ti como a coberta eu seria o lençol
Da tua jornada
E juntos entraríamos no paraíso
Como cama e colchão
Fronha e lençol
Assim nós entraríamos no céu
Cobertos apenas pelo calor do sol.

 

 

criado por shintoni    11:16 — Arquivado em: Ana Maria Guimarães Ferreira, Poesias, Se...
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