Duelos Literários

REVELE O ESCRITOR QUE EXISTE EM VOCÊ! NESTE BLOG PRETENDEMOS EVIDENCIAR A DIVERSIDADE DE INTERPRETAÇÕES NA COMPOSIÇÃO DOS TEXTOS. ESCREVA SOBRE OS TEMAS LISTADOS NAS CATEGORIAS (OU PROPONHA OUTROS), DEIXE SEU TEXTO EM “COMENTÁRIOS” E NÓS POSTAREMOS.

13 fevereiro 2009

O Inverno é uma Boa Pedida - por Luiz de Almeida Neto

 

 

Inverno é bom
de frente pra fogueira
com uma dose de rum.

 

Seria conhaque
não fosse meu gosto,
mas tem coisas que não podem faltar.

 

O calor humano
O aconchego dos corpos
Pra aguentar o frio de nossas almas
O calor de palavras dóceis
Pra acalorar o gélido pavor
dos temores da vida.

 

A quentura de um abraço carinhoso
Pra lembrar que sempre há um canto
quentinho
pra passar a chuva
Uma esfregadinha entre as mãos
entrelaçando-as
pra saber que sempre tem uma casa
Protegida da neve constante
que cai lá fora

 

E a gente ainda pode arranjar
um cobertor bem quentinho,
esquentar os pezinhos,
tudo bem juntinho.
E esperar que a frieza em geral passe
conservando o calor do nosso carinho
chamando por apelidos
arengando sem dizer nada com nada
até que a sobriedade indiferente
se extinga
se esvaia
num copo de rum
na loucura do nosso calor
que esquenta o mundo
de cada um.

 

criado por shintoni    15:28 — Arquivado em: Inverno, Luiz de Almeida Neto, Poesias

31 janeiro 2009

Os Irmãos Karamázovi - por Luiz de Almeida Neto

 

 

Os Irmãos Karamázovi - Fiódor M. Dostoiévski

 

“O livro mais belo que já li foi ‘Os Irmãos Karamázovi’, já faz algum tempo, mas nunca o tirei da minha memória. E sempre o recomendo.”

 

 

E você? Qual foi o livro mais belo que já leu?

 

 

criado por shintoni    13:26 — Arquivado em: Luiz de Almeida Neto, Nossos Livros — Tags:

30 janeiro 2009

Escuro - por Luiz de Almeida Neto

 

 

De noite
em meu quarto
com a cama pálida
eu sou você, amigo
Te dou a mão
mas você não vê.

 

Quando meus sonhos
ou pesadelos
apontam na esquina
eu sou você
coberto de papelão
e tossindo ao relento.
Eu adivinho uma febre,
seus calafrios
e não faço nada.
Meu medo
faz com que eu não sinta
você.

 

E o mundo
que é um escuro
impenetrável
nos afasta mesmo que a uma rua de distância.
E não sei seu nome,
seu jeito,
suas crises,
mas por um instante
sou você.

 

Sinto uma picada
muito fraca
da dor enorme que você sente
e já me apavoro,
pressinto a fome
que te assola perenemente
e a sacio,
mas te adivinho
também uma sede.

 

Não sou você,
porque não me entrego
porque me nego
a me sentir imundo,
e porque ainda creio
não obstante o receio
de que sou de outro mundo.

 

Mas meu corpo,
ele sim,
fala mais a mim
do que todo este absurdo
não reclama nossa irmandade
já que ela não percebo
mas exige que eu compartilhe
no todo ou em parte
uma parte de teu lamento
tuas angústias,
teus tormentos,
do que sabes que é verdade. 

 

Agora mesmo vou dormir
sabendo o quanto não sei de nada,
realmente não aprendi,
e não quero que tal lição
me seja ensinada
Com o que até hoje conheci
não sei nem muito bem
como apareceste
na minha estrada.

 

 

criado por shintoni    21:17 — Arquivado em: Luiz de Almeida Neto, Poesias, Você

22 janeiro 2009

Arrepios - por Luiz de Almeida Neto

 

 

Meus órgãos se arrepiam
e minha alma transpira
tanto quanto eu te desejo

 

Os meus olhos cintilam
e meu corpo te espira
tanto quanto pede um beijo

 

Os meus rastros te contestam
meus amigos te detestam
mas até hoje te exijo

 

Minha vida espera a tua
e a solidão que me pontua
até hoje eu respiro

 

O meu beijo não é maior
que a tua boca que é tão só
que o teu olhar
inda pior
E ainda te suspiro

 

O sentimento não é mais seu
Porque até hoje
ainda é meu
mas com fé
em meu bom Deus
eu ainda te preciso.

 

Você não tinha o direito
de tratar com tanto esmero
quem tanto se desmereceu.

 

Não podia desbaratar
quem tanto se pôs a pensar,
mas assim mesmo procedeu.

 

Não devia angustiar
quem muito se fez relaxar
e que agora só tem aflição.

 

Que com todo teu olhar
chegou onde não devia estar
e agora se acha então

 

no direito de abençoar
ou então de maltratar
tão singelo coração.

 

Digo que tá tudo certo
que não sou mais que um inseto
que é tua minha mão.

 

Que se quiseres esmigalhar
e até mesmo pisar
em tão frágil cidadão

 

não darei mais que um pio
não serei tão arredio
e aceitarei tal situação.

 

Só posso te pedir
se assim você decidir
que me dê mais uma chance

 

porque se tudo que eu disser
e provar que és minha mulher
não valer mais que um romance

 

posso dizer que tudo se acaba
que o que aprendi não valeu nada
que o que vivi foi só um rompante

 

Pois exiges homem feito
de onde se vê, com muito efeito,
não muito mais que um amante.

 

Ainda existe algum remédio
se viveres mais que o médio
pra aprender o que um homem quer

 

que não quer mais que uma briga
que uma cerveja na barriga
que o teu corpo de mulher.

 

 

criado por shintoni    11:54 — Arquivado em: Luiz de Almeida Neto, Perdão, Poesias

21 janeiro 2009

Toada do Marinheiro Sem Dizer Nada - por Luiz de Almeida Neto

 

 

Como dizia a toada
do marinheiro inconsolável
com toda a sua razão:
“Minha mulher partiu
Partiu junto meu coração”
Me lembrava até antes de ontem
de toda nossa situação.

 

É que os amores saem da gente
Como quem expulsa um cão
Mas sempre voltam indiferentes
Em outra pessoa ou canção.

 

Dom perpétuo, fugidio
e abestalhador
que não aceita desprezo
e pra quem só se pede
compaixão.

 

Diria em alto-mar
ou até na esquina de casa
que aquele não se abrasa
nem se cura com retidão
e que não tolera afago
quando encontra um mal-me-quer
Seja-se forte de fado ou de fé
pois não se acalanta o trato
senão com a devida mulher.

 

Mas dizia o marinheiro
que o amor é como o mar
que não importa imposto ou despeito
não se pode mensurar
nem se jurar
que vai ter fim um dia
mesmo quando se pensa acabar.

 

Já diria o marinheiro
em sua toada
com toda sua exatidão:
“Minha mulher partiu
Partiu junto meu coração
Mas me fez ensinar
Ensinar sem dizer ‘não’
que os amores de hoje em dia
os amores vem e vão”.

 

 

criado por shintoni    14:05 — Arquivado em: Amor, Luiz de Almeida Neto, Poesias

6 janeiro 2009

Penitência Não Resolve Nada - por Luiz de Almeida Neto

 

E sabe do que mais?
Não acredito na tua consciência
Nem na minha

 

Como posso crer
que és capaz de avaliar
os estragos que fazes
e que te penintencias
com o sofrimento alheio?

 

E se não fizeres nada disso?
Ainda sim terei minha própria consciência?
Ou será que esta existe
tanto quanto a mula-sem-cabeça?

 

Ou será que ela existe
e guardas ela tão bem
que não vemos seus reflexos
em nossos dias?
Será que vale a pena?

 

Sabes do que mais ainda?
Se é pra ficares sofrendo
se lamuriando e penintenciando
por força de tua consciência
e incapaz de tomar uma atitude
digo que sou caridoso
e te liberto das aparências
Prefiro que esqueças
afinal de contas
tudo que se passou

 

De que me vale uma pessoa a mais sofrendo
Só uma lamúria a mais
sem resolvermos nada
Não 

 

Esquece-te de mim
e caminha teu caminho
como quem segue a cavalo
mais vale um fodido
que dois remediados
e um dia inda me vingo
pra sofrer eu também com meus pecados
pois invejo a capacidade
de sofrer e não fazer nada.

 

criado por shintoni    20:48 — Arquivado em: Consciência, Luiz de Almeida Neto, Poesias

2 janeiro 2009

Eu Não Sou Assim! Mas Sou… - por Luiz de Almeida Neto

 

Há algo de diferente de mim mesmo
dentro de mim
Tal qual um estranho
rebelde e insubordinado
que nunca obedece aos meus apelos

 

Fico sério, quieto, sossegado
e não quero mais que isso
Então eis que o estranho se aproxima
com desejos e vontades
intromissões e arrepios

 

Não quero fazer nada
muito menos escrever
Mas a mão começa a tremer
dirigindo-se irremediavelmente
à folha de um branco sem fim

 

Sussurro, rogo pelo amor de Deus
que se acabe este impulso
que segure este anseio
que não posso mais me expor
Não tem jeito
e quando me dou conta
há folhas cheias pela sala

 

O estranho se esvai
e eu respiro aliviado
não preciso mais escrever
tenho controle dos meus impulsos

 

Vejo de soslaio
no canto da sala
o raio de uma garrafa de rum
Restante da noite de ontem
 

 

Ah, mão maldita!
Que entra pela minha boca
e devora todo o meu ser
Acho que sou mais verdadeiro
quando deixo minha mão guiar meu corpo…

 

criado por shintoni    12:35 — Arquivado em: Conflito, Luiz de Almeida Neto, Poesias

17 dezembro 2008

E Tenho Dito - por Luiz de Almeida Neto

 

Se me perguntares
Quanto tempo eu estudo
Quantas horas eu durmo
E se eu consigo relaxar

 

Vou te responder

Que te acho um intruso
Que é coisa de maluco
Querer xeretar

 

Se ainda por cima vieres tentar

Se fazer de amigo
Pra saber se eu digo
Pra vir dialogar
Vou dizer que é sem jeito
Que eu exijo respeito
Que sei me cuidar

 

E se vieres de banda
Como quem não tem trama
Como se tivesse ali por estar
Só pra saber se sou safado
Se não tenho costume errado
Que não vá te prejudicar

 

Confesso que até tenho
mas que também me empenho
na arte de disfarçar
E que não é da sua conta
se alguém nesse mundo apronta
ou se alguém sabe relevar

 

Porque eu pago minhas contas
E ainda se não pudesse pagar
Ia dar o meu jeito
Como sempre tenho feito
Sem lhe pedir pra me emprestar
cartão, cheque ou dinheiro
que não valem meu respeito
nem muito menos tenho pra lhe dar

 

Tenho dito.

 

criado por shintoni    22:15 — Arquivado em: Cada qual com seu cada qual..., Luiz de Almeida Neto, Para Rir, Poesias

16 dezembro 2008

Perfeição - por Luiz de Almeida Neto

 

Prefiro sempre o conceito que os gregos tinham da perfeição. Que significava algo mais como a representação milimétrica do humano, em sua estética e emoções. De todo jeito acho que é um conceito altamente anacrônico, que, em nossos dias, não se aplica mais, já que nós não temos mais tempo. É muito difícil fazer algo esmerado em nossos tempos, já que temos que fazer tudo tão ráipido. vc sabe “a pressa é inimiga da …”.

 

criado por shintoni    9:12 — Arquivado em: Luiz de Almeida Neto, Perfeição

Perfeição - por Luiz de Almeida Neto

 

É bem melhor mesmo quando o conceito de “perfeição” se esvai e nunca mais volta à nossa consciência. Afinal eu concordo que ele só exista em nossos tempos para nos atormentar.

 

criado por shintoni    9:07 — Arquivado em: Luiz de Almeida Neto, Perfeição

15 dezembro 2008

Silêncio Solitário na Casa Enorme - por Luiz de Almeida Neto

 

A voz falta, palpita a garganta
Falta fôlego, as pernas cansam
A cabeça lateja
De tanta esperança

E em vez da desgraça
Que antes seria melhor
que toda essa agonia
o momento se prolonga

A casa vazia, um livro cai
em um cômodo distante
A vida sai por um instante
e se esvai
Ainda não era você que tinha chegado
pra acertar as minhas contas
Ainda não fora a iminência do destino
e eu ainda agüento um pouco mais

 

criado por shintoni    13:39 — Arquivado em: Aflição, Luiz de Almeida Neto, Poesias
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