Duelos Literários

REVELE O ESCRITOR QUE EXISTE EM VOCÊ! NESTE BLOG PRETENDEMOS EVIDENCIAR A DIVERSIDADE DE INTERPRETAÇÕES NA COMPOSIÇÃO DOS TEXTOS. ESCREVA SOBRE OS TEMAS LISTADOS NAS CATEGORIAS (OU PROPONHA OUTROS), DEIXE SEU TEXTO EM “COMENTÁRIOS” E NÓS POSTAREMOS.

13 fevereiro 2009

O Canto da Sereia - por Ana

 

Mora em mim uma sereia louca que melodia por anos a fio. Tento viver as horas em silêncio, tratar assuntos importantes com sobriedade, mas há um som macio insistente, uma trilha sonora incansável que acompanha tudo o que sou. Este canto não me chama: ele apenas se impõe. Lembra, persistente, que existem as movimentadas e lentas ondas do mar, a profundidade abissal negra e fecunda, as imponentes naus tragadas, as indigentes almas que vagam ao sabor dos rios submersos, as duras rochas fertilizadas, os extraordinariamente coloridos recifes de coral, a claridade molhada do sol, os grãos de areia entremeados de habitantes e as múltiplas pegadas que se vêem e vão. Porém, sua mensagem mais contundente trata da natureza das coisas: daquilo que pode existir sem nunca ter sido visto; do que se pode encontrar nas atmosferas das tantas possibilidades; dos seres considerados mitológicos apenas por conta das limitadas leis que regem a condição humana; das metades excludentes que formam, prodigiosamente, a perfeição.

 

criado por shintoni    14:24 — Arquivado em: Ana, O Canto da Sereia

12 fevereiro 2009

De Agora ao Zênite - por Ana

 

 

Agora aprendo a amar… Antes,

boba, brincava no bar,

cantando cada cruz-credo!

Deitando, dormindo, doida,

evitando envolvimento…

Fazendo festas e farras

ganhei garanhões, garotos,

hábil em habitar homens

idiotas, imbecis, imaturos.

Jovem, jazia em jejum

de lágrimas, lealdade e lar,

mas Maurício me mirou

numa nuvem de ninar,

os olhos de obsessão.

Parei, pensei, pedi:

quero, quando quiser,

rasgar os rotos revezes,

ser sua, sinceramente,

tecer talismãs, talentos,

urdir úmidas unções,

viver valiosa vaidade:

xales, xícaras, xodós,

zonza zelando o zênite.

 

 

 

Inspirado em “ABC-9”, de Raquel Aiuendi e

“Acróstico”, de Leo Santos.

 

criado por shintoni    12:04 — Arquivado em: Acrósticos, Amor, Ana, Mudança, Poesias, Resposta

11 fevereiro 2009

Não sei como começar… - por Ana

 

 

Não sei como começar… Então lá vai: Dane-se!

Dane-se você com suas roupas justas e seus terninhos a la Direito.

Dane-se você com sua fala mansa e seu olhar de corsa abatida.

Dane-se você com seu jogo de cintura e sua eterna diplomacia.

Dane-se você com seu marido perfeito e suas crianças limpinhas.

Dane-se você com seu emprego estável e sua carreira brilhante.

Dane-se você com seu ego inflado e suas contas bancárias.

Dane-se você com tudo o que você tem de bom.

 

Dane-se você e todo o resto.

 

Porque uso roupas largas,

Falo grosso,

Jogo na cara,

Não quero casar,

Não trabalho,

Não tenho grana

E tô na boa!

 

 

criado por shintoni    13:24 — Arquivado em: Ana, Não sei como começar..., Poesias

10 fevereiro 2009

Minha Alma - por Ana

 

 

Minha alma… Era clara, feliz, saltitante, sorridente. Curiosa, muito curiosa e tagarela. De tão leve, quase saía de mim e me deixava só. De tão leve, invejava os vapores da chaleira todas as vezes. A primeira vez que experimentei a nostalgia foi por causa dela. Fomos - minha alma e eu - à praia; lá, eu me afoguei e ela voou por sobre o mar e os morros e a areia; para sua infelicidade, fui salva e eu e todos ouvimos sua voz: “Por que me fizeram voltar?”. Ela trouxe para mim então sentimentos desconhecidos: saudade, frustração e a consciência de um corpo habitado.

Assim era minha alma, ela que é alguém dentro de mim, diferente do que sou, diferente do que sinto. Minha alma é grandiosa, benevolente, compreensiva, flexível, se move como um fantasma de desenho animado e fala com a certeza dos presidentes. Minha alma é uma aranha sobre as águas do mundo: não molha os pés nem se afoga. Minha alma e eu não somos um ser único porque ninguém é um com sua alma.

Ninguém ama sua alma: quem a vislumbra, se apaixona, morre por ela. Vive mil anos e não a conhece, enquanto ela o escolhe antes de nascer e rola de rir de seus passinhos indecisos, de seu dedo na tomada, admira suas coragens de infância, protege dos perigos mais sérios e, um belo dia, se apresenta a você de alguma forma. Felizes são os que a reconhecem, pois saberão para sempre que têm dentro de si um universo indestrutível, infalível, eterno de possibilidades, com a sabedoria das leis da natureza e a liberdade que ninguém jamais experimentou.

A alma é sonho vivo, é outra dimensão, é tranqüilidade em movimento, é força sem tensão. A alma é a vida que não possuímos em nossas mãos, é o princípio… e fim.

 

 

criado por shintoni    12:23 — Arquivado em: Ana, Minha Alma

9 fevereiro 2009

Ausência - por Ana

 

 

Minha saliva está doce,

a língua sente tua falta.

 

Gostaria de te beijar agora.

 

Antes de meu mundo ceder

sob o peso concreto de tua ausência.

 

 

criado por shintoni    11:31 — Arquivado em: Ana, Ausência, Poesias

8 fevereiro 2009

O Quarto - por Ana

 

 

O quarto é algo engraçado,

Traz à mente tanta idéia…

Eu penso logo em Lucíola

E também na Macabéa.

 

Pode ser soturno, feio,

Amplo, bonito, arejado,

Com florzinhas cor-de-rosa,

Ou com tranca e cadeado.

 

Porém o mais importante

É que ele seja, pra ti,

O espaço de liberdade

Onde sonha, chora e ri.

 

Não importa o que está fora,

Não importa se está preso,

É nele que deve traçar

As rotas de fuga ou desejo.

 

A mente não tem paredes,

Não deve desistir, julgar,

E é dentro do seu quarto

Que ela deve te guiar

 

Pelos meandros da vida

Que você acha interessantes,

Que vão te trazer prazer

E te fazer importante.

 

Importante pra você,

Para os outros, para o mundo…

E o quarto é o jardim secreto

De solo farto e fecundo

 

Em que planta o que será

Se não gosta de onde está,

Quando quer mais da vida

Ou tem que reconsiderar…

 

Deixado, então, meu recado,

É com tristeza que parto,

Dizendo tchau, foi um prazer…

E agora vou pro meu quarto

 

Que não faz parte da casa,

Que não tem parede, porta,

Que é recanto dentro de mim,

Onde só entra o que me importa.

 

 

criado por shintoni    13:01 — Arquivado em: Ana, O Quarto, Poesias

7 fevereiro 2009

A Samurai Contra-ataca! - por Ana

 

 

Me chamou de Darth Vader!

Me chamou de ananás!

Tu não tava com Tupã:

Tu tava é com Satanás!

 

Pois saiba que samurai

Não balança e não cai.

E eu tava certa: sua volta

É o retorno de Jedi!

 

E vai se fazer de vítima

Lá em outra freguesia…

Cê não vê? Tu não convence…

Tu agride e acaricia…

 

Qual é a palavra que vale?

O que é verdade, afinal?

Tu quer guerra, tu quer paz?

Não se define! Vai mal…

 

Fica me desafiando

Pra partir pro telequete

Só porque tá protegida:

O duelo é na internet.

 

Meu teclado fica mudo?!

Assim tu já tá me irritando!

Quem ficou muda, ô xavante?

Com medo, só tocaiando?

 

Vê se se olha no espelho,

Vê a tua covardia,

Não taca pra mim seus “dotes”,

O seu jeito de enguia

 

Que escorrega aqui e ali,

Arisca, de lá pra cá,

Não é firme, é traíra,

Se esconde pra atacar.

 

Tu vai cuidar do planeta?!

Mas que raio de história é essa?

O que tem coisa com a outra?

Sai pra lá com esta conversa!

 

Mas que efeitos da guerra?!

Que guerra?! Da Palestina?

Tu pertence à Cruz Vermelha?

Tá maluca esta menina!

 

Da reconstrução da paz

Então você se imbuiu?!

Pra fazer rima perfeita

Meus dedos estão por um fio…

 

E eu sou gente muito boa!

Desequilibrada é a avó!

Ofendi coisa nenhuma,

Sua índia pataxó!

 

Amigas? Abraço de urso?

Mulher cruel do cangaço?

Resolve: vai pra que lado?

Já tá me dando cansaço!

 

Logo você, duas caras,

Vem falar de incoerência?

Todos sabem por aqui:

Tu domina esta ciência.

 

Eu amo é quem me ama.

Tu não fez por merecer.

E o duelo vai ter fim

Com você a apodrecer!

 

Alguém torce por você?

Tô sabendo disso não…

Alucina, a coitadinha…

Não tá aguentando a pressão.

 

Puxar saco dos meus fãs…

Não adianta nem tentar…

Eles são inteligentes:

Não se deixam enganar.

 

Tô certa ou errada, povo?

Vocês não são geniais?

Claro que são! É só ler

Seus posts daqui pra trás!

 

 

Resposta a “Eu Vos Digo:” e “Vader Retro, Ananás!”, de Raquel Aiuendi.

 

criado por shintoni    13:03 — Arquivado em: Ana, Para Rir, Poesias, Resposta

6 fevereiro 2009

Caixinha de Costura - por Ana

 

 

Agulhas, linhas, dedal,

fitas, botões, tesourinha,

cores, texturas, formatos,

cabem todos na caixinha.

 

Caixinha na qual não cabem

meus sonhos de criancinha

nem meus desejos de adulta

nem meus medos de velhinha.

 

 

criado por shintoni    10:44 — Arquivado em: Ana, Caixinha de Costura, Poesias

5 fevereiro 2009

O Retorno de Já Vai… - por Ana

 

 

Ih! Indiazinha voltou!

Foi da mata ou do deserto?

Aldeia + chuva de areia?

Este troço não tá certo!

 

Voltou foi do mundo dos mortos:

Expulsou-a o deus Tupã,

Não aguentou a choradeira

Da produtora-artesã.

 

E já voltou atentando,

Desfiando desaforo,

Depois berra agonizando…

Não sou eu que te socorro.

 

Covarde coisa nenhuma!

Meça bem suas palavras!

Eu me irrito, te acorrento

E te faço minha escrava!

 

Eu já tô de saco cheio

De conversa enviesada:

Me acusa de covardia

E propõe paz, a aluada!

 

Reconciliar pra quê?

Me dê só um bom motivo

Pra esquecer suas ofensas

E te tirar do castigo

 

De ser sempre rebatida

De forma tão genial,

Tão perfeita, tão Serena…

E tu deSafina legal…

  

Lá vem ela com inglês…

Raquel, tu não me provoque!

Se continuar com a graça

Eu te mando o meu Baioque!

 

E acaso eu tenho culpa

De ser simpática à beça?

Você tá é com inveja…

Índia-ninja magricela!

 

Te importunar não ia mais,

Patrocinei até velório!

Dancei a tal dança da chuva

E rezei no oratório!

 

Mas tu volta a infernizar,

Diz que viajou… É mesmo?

Acho que tava é de tocaia,

Porque se tu anda é a esmo.

 

E tendo deixado, ô Aiuendi,

Estas linhas a você,

Me despeço já sabendo

Que logo tu vai morrer.

 

Pelas palavras que li,

Vai morrer desidratada

De tanto chorar sozinha

Vendo o quanto eu sou amada

 

Pelo fã-clube dileto

Que surgiu tão de repente

Das páginas do Duelos.

Como é legal esta gente!

 

 

Resposta a “O Retorno da Guerreira”, de Raquel Aiuendi. 

 

criado por shintoni    11:18 — Arquivado em: Ana, Para Rir, Poesias, Resposta

4 fevereiro 2009

Consequências do Casamento - por Ana

 

 

Envenenamento - Ocorre aos poucos ou de uma só vez, logo de cara, dependendo do outro sujeito.

Testamento - Você deve fazer, logo que possível, após o duro golpe, pois nunca se sabe quanto tempo você poderá agüentar.

Oferecimento - Da sua parte ao outro, de tudo que você possui de bom.

Impedimento - Total.

Tormento - Eterno.

Estranhamento - Às vezes de você consigo próprio, às vezes dos outros em relação a você; na maior parte das vezes ocorre uma junção dos dois tipos.

Alheamento - Total: você só tem olhos, ouvidos, boca, nariz, pele, corpo e alma para o outro sujeito.

Afrontamento - Todas as suas crenças e ideais são afrontadas de imediato, muitas vezes, ainda durante a lua de fel.

Defloramento - Violento, absolutista, traumático, total, de tudo que você possui de melhor.

Apedrejamento - Diário, incansável, inquisidor, sádico, até sua desfiguração completa.

Refinamento - De todas as características de seu lado negro: cinismo, falsidade, adulação, fingimento, bajulação etc.

Passamento - Se dá de imediato: você passa de tudo de bom a nada que preste.

Arrebatamento - Todas as suas qualidades e atrativos são arrebatados para um arquivo morto interno que você nem sabia que existia e não sabe onde se localiza.

Aprisionamento - Também ocorre de imediato, podendo ser efetivado de diversas formas: através de coleiras, grades, paredes, porém a maneira mais usual é pelo uso de alianças.

Tratamento - Você vai precisar, em algum momento; os que têm sorte, só depois de 5 anos com o semsorte.

Confinamento - Num mundo estático, televisivo e cinzento. Sem plim-plim.

Acastelamento - De repente você se encontra presa naquele castelo dos seus sonhos, só que é um tremendo pesadelo e, para seu desespero, você é uma Rapunzel careca.

 

 

criado por shintoni    11:30 — Arquivado em: Ana, Casamento, Para Rir

3 fevereiro 2009

Mote de Raquel Aiuendi - por Ana

 

 

Mote

Já que são duelos,
letra a letra fio a fio.

 

 

Vou ter que seguir o Moita?

Ai, ai, ai… ficou difícil…

Sempre com oito sílabas?

Me parece impossível…

Já que são duelos, [porém,]

Eu encaro, fazer o quê?

Vou tentando, bem devagar,

Para a métrica manter.

Ui… Isso é que é desafio!

Letra a letra, fio a fio.

 

Esta não é minha praia,

Sabe bem quem me conhece,

Vou jogar isto no lixo,

Tá feio! Ninguém merece!

Já que são duelos, [Raquel,]

Aqui estou novamente,

Mas agora eu me ferro,

Não há ninguém que aguente!

Isto só dá calafrio…

Letra a letra, fio a fio.

 

Eu só vou fazer mais uma,

Minha cabeça vai dar nó

Se ficar mais muito tempo

Nesta tortura de dar dó.

Já que são duelos, [tá bom,]

Sigo até o fim leal

À proposta que foi feita,

Ao seu mote inicial.

Ufa! Acabou o trio!

Letra a letra, fio a fio.

 

 

criado por shintoni    15:46 — Arquivado em: Ana, Mote de Raquel Aiuendi

2 fevereiro 2009

Verdade? - por Ana

 

 

- Verdade?

- Verdade!

- Verdade mesmo?

- Verdade, tô falando!…

- Tá de brincadeira…

- É sério!

- Mentira…

- Verdade, garota!

- Fala sério!…

- Serinho…

- Não acredito… Verdade?

- Então não é?

- Se tu tá dizendo…

- Tô dizendo!

- Humm… brincou…

- Brinquei nada!

- Mas… é verdade?!

- Verdade verdadeira!

- Mesmo?

- Mas que coisa! É verdade!

- Então tá. Verdade.

 

 

criado por shintoni    10:10 — Arquivado em: Ana, Diálogo, Para Rir, Verdade

1 fevereiro 2009

Antes Ela do que Eu! - por Ana

 

 

E a tal índia, heim, gente?

Acho que, enfim, desistiu…

Seguiu conselho de Alba,

Pegou o balaio e partiu.

 

Partiu desta pra melhor

Pela flecha envenenada,

Deu suspiro de dar dó,

Esta semana foi velada

 

Lá na tribo em que mora,

Com muita lamentação:

Seus pares, tão revoltados,

Cuspiram no seu caixão.

 

Foi duelar na Internet,

Tentando ficar famosa,

Mas se deu mal legal!

Uma derrota vergonhosa!

 

Honras fúnebres indígenas?

Não teve nenhuma, não:

Sem tanga, cocar, peninha…

O caixão? De liquidação.

 

Agora lhes conto um segredo:

A tribo dela é canibal,

Mas declinaram o banquete

Com medo de passar mal.

 

Porque eles só se alimentam

Daqueles que são valorosos,

Se comerem carne fraca

Terão destinos escabrosos.

 

Mas a família convidou

Uns ninjas lá seus colegas

E eles disseram: “Não!

Nós vamos é fazer festa!

 

Ela, feio, desonrou

Nosso bom nome na praça:

Não merece nem lembrança,

O que merece é desgraça!”

 

Assim, aqui eu vos peço

Um minuto de silêncio

Pela alma de Aiuendi

Enquanto eu acendo o incenso.

 

Como parte dos serviços

Eu vos digo que valeu,

Mas devo ser bem sincera:

Antes ela do que eu!

 

E vou dançar dança da chuva

Como homenagem também,

Pra lembrar lá do início

E de todo o vaivém.

 

Por aqui eu me despeço,

Outras coisas me entretêm,

Pra você lhe digo, amiga:

Vá em paz! Adeus! Amém!

 

 

criado por shintoni    10:22 — Arquivado em: Ana, Para Rir, Poesias

31 janeiro 2009

O Homem no Lixo - por Ana

 

 

Ontem, andando na rua,

Vi um homem adormecido

No meio de sacos plásticos.

A sua cama era o lixo.

 

Parei ao olhar praquilo,

Olhei e tudo parou…

Sequestrou-me o inusitado,

Minha cabeça pirou.

 

É o cimento da calçada?

O lixo é mais confortável?

Os sacos são travesseiros?

Mas… e o cheiro insuportável?

 

Eu não entendia niente,

Os neurônios não agiam,

Não enxergava mais nada,

Os meus pés não se moviam.

 

Não havia mais trabalho,

Ponto a bater, o horário,

Chefia, clientes, agenda,

Desconto no meu salário.

 

Éramos eles e eu:

Homem, lixo, catatonia,

Sono, sujeira, susto,

Cansaço, imundície, agonia.

 

Um esbarrão me acordou

Do estado de letargia,

Consegui dar alguns passos

Em direção ao meu dia

 

Que agora não era meu,

Era deles totalmente:

Mais que imagem, uma verdade

Paralisando a minha mente.

 

Fui zumbi até a noite

Na hora em que fui dormir.

Fui arrumando a cama,

Mas parei pra refletir.

 

Sentei no chão contra a parede,

Relembrando aquela cena:

O sono profundo e calmo

Numa face tão serena…

 

Ele teria bebido,

Tanto que nem percebeu

Onde descansava o corpo

Em uma noite de breu?

 

Pensei: só pode ser isso…

Ele estava sem noção,

Dormiu sem ter consciência,

Não agiu por opção.

 

Então eu dormi tranqüila…

Não foi algo voluntário…

Ninguém agiria assim

De modo tão temerário…

 

Então, na manhã seguinte,

Me arrumei, comi, saí,

Me dirigi ao trabalho,

Nem pensava no que vi.

 

Até que, no mesmo local,

Não cri no que o olhar via:

No mesmo lixo de ontem

Uma família dormia.

 

 

Inspirado em “O Homem no Lixo é Lixo”, de Alba Vieira;

“Escuro”, de Luiz de Almeida Neto.

 

criado por shintoni    11:27 — Arquivado em: Abandono, Ana, O Homem no Lixo, Poesias, Resposta

30 janeiro 2009

Carência - por Ana

 

 

Os dias se sobrepõem enquanto te espero.

Qualquer sinal teu seria um alento.

Imóvel permaneço nesta espera infrutífera.

Por longos dias e infinitas noites de saudade de ti.

Sei que sofres porque te sinto.

Sei o quanto também queres a mim de volta.

Sei o que lamentas, a rigidez de tua mente tão inescrupulosa, que tanto castiga um coração frágil e coerente.

Mas há que ser assim ainda.

Passaremos pela vida numa ligação invisível fortalecida pela ausência.

Estaremos a cada dia mais perto pela impossibilidade de abandonar um destino de união.

Em lembranças, anseios e carinhos nos guardaremos.

Até que finalmente nos encontraremos em plenitude e em paz.

 

 

criado por shintoni    20:58 — Arquivado em: Ana, Carência, Poesias

Urgência - por Ana

 

 

Eu te amo

com a urgência de te olhar por dias seguidos

sem temores, sem iminência de separação;

com a urgência de dormir tranqüila, sem portas trancadas,

sem movimentos perigosos que venham nos arrancar de nós;

com a urgência de quem se debate

para acordar de um pesadelo quase eterno;

com a urgência de um guerreiro

que luta por sua vida para salvar sua alma;

com a urgência dos anjos

que velam pelos seres que, sós e cegos, se perderiam de seu caminho;

com a urgência de ver os dias que,

implacavelmente velozes e ininterruptos,

consomem e restringem o tempo do encontro pleno;

com a urgência que teme a morte

que virá, sempre breve, quando se é feliz;

com a urgência dos lábios adormecidos que sonham beijos doces;

com a urgência de ouvir uma voz única preencher todos os sentidos;

com a urgência de sentir na pele

a textura de seu corpo macio repousando, solto, sobre o meu;

com a urgência de minhas mãos

que aguardam te enlaçar e trazer para junto, definitivamente;

com a urgência de meus carinhos,

que necessitam se expressar e só existem para ti;

com a urgência de um coração que pulsa teu nome, aflito,

pedindo aos olhos tua imagem presente todos os dias;

com a urgência de minha alegria,

que surge quando te vejo.

 

Eu te amo

com a urgência que tem o rio de chegar ao mar, seu destino;

com a urgência dos amores proibidos em se tornarem vivos;

com a urgência de retomar um lindo sonho interrompido;

com a urgência de libertar minha alma de um feitiço cruel e incessante;

com a urgência da solidão que sabe sua companhia vindo.

 

Eu te amo

com a urgência deste sentimento que te acompanha ao longe;

inunda-te de carinho, desejo e paixão, se perto;

e que te faz sentir a mesma urgência,

arder no mesmo desejo, transbordar o mesmo carinho,

viver a mesma paixão.

 

Sempre.

 

 

criado por shintoni    16:35 — Arquivado em: Amor, Ana, Poesias, Urgência

28 janeiro 2009

Mote do Moita - por Ana

 

 

O mundo anda perdido,
repleto de maus bocados…
Releve os seus amados,
Deus, apesar de ofendido.
A cura já vem lá vindo:
o amor e a paz também
nos atos dos homens de bem.
O esperar é custoso,

mas Seu agir é bondoso,
não se vinga de ninguém.

 

 

criado por shintoni    11:01 — Arquivado em: Ana, Mote do Moita

27 janeiro 2009

Comigo Ninguém Pode! - por Ana

 

 

Depois que voltei dos mortos

Pela mão do deus Casé,

Fiz entrada triunfal,

E, como sempre, de pé,

 

Impávida, portentosa,

Altiva, vitoriosa,

Magnífica, poderosa,

Retumbante e gloriosa.

 

Mas a tal ninja, tadinha!…

Tá sempre de pé quebrado!

Conforme ela mesma disse

No texto que tá postado.

 

Disse mais umas besteiras

Que eu vou ignorar,

Não valem gastar meu tempo,

Mas outras cê vai encarar!

 

Ô índia, quem foi que correu?

Eu corri de tu foi nada!

Mas me chamar de cachorra

Foi baixaria danada!

 

Eu que não ia aceitar

Duelar desta maneira.

Voltei atendendo a pedidos

E porque eu sou guerreira.

 

Voltei também, vou dizer,

Porque li duas respostas

Que você postou depois

E estavam mais compostas.

 

Nestes termos então eu sigo,

Luto um milhão de rounds.

(Mas não serão necessários:

Logo tu vai a nocaute!)

 

Diz não ter medo de chuva

E eu vou dizer o porquê:

Tu tem casa e, quando pinga,

Corre pra se proteger.

 

Tá lá no “Noite de Chuva”,

Você não me deixa mentir!

Vive se contradizendo…

Não sei quem tu quer iludir.

 

E tá morrendo de medo,

Quer o Casé como escudo

Pra desviar a atenção,

Pois sabe que não me iludo.

 

Casé, amigo, é bem-vindo,

Se quiser participar,

Mas atente à covardia:

O que ela quer é te usar

 

Como nuvem de fumaça.

Tu não conhece os ninjas?

Apanham e dão no pé.

(Se eu errar, me corrija.)

 

E pra não serem mais feridos

Eles agem de má-fé:

Distraem os opositores.

Não cai nessa, ó Casé!

 

E antes de terminar

Este round do duelo,

Não posso deixar de lembrar

Dos elogios singelos

 

Que recebi dos leitores

Que acompanham, sorridentes,

Esta saga inspirada

Em desafios frequentes.

 

Agradeço à minha torcida:

A Rosa, Vicenzo, Adhemar…

Mando beijos para todos!

Não vou decepcionar!

 

 

Resposta a “Esse é Pra Quem Foge”, de Raquel Aiuendi.

 

criado por shintoni    10:27 — Arquivado em: Ana, Para Rir, Poesias, Resposta

26 janeiro 2009

Flores em Escarpas - por Ana

 

 

Hoje você foi uma sombra que persegui e perdi por um minuto. Ficou a sensação de mãos que não conseguem alcançar, mas que deixam no ar um movimento bonito durante a busca, a tentativa. Era eu um minuto atrás de você que se foi sem saber de meus olhos.

É assim essa parte da vida: você que vai e eu que vejo, sem tocar ou chegar perto, apenas olhando e sentindo.

E isso me aquece: a sua existência e o meu sentimento. Até que transborda por completo e dá lugar ao vazio frio que me faz desejar o tocável que então busco; mas, ao encontrar, junto está a sua ausência, que torna o palpável impossível de me preencher.

Então me afasto, me volto para você e o ato simples de olhar me basta novamente.

 

 

Inspirado na pintura “Flores em Escarpas”, de Alba Vieira.

 

criado por shintoni    12:57 — Arquivado em: Ana, Arte sob Novo Olhar, Distância, Resposta

Dádiva - por Ana

 

 

Penso que existem muitíssimas coisas no céu e na terra que nos chegam invasoras e incompreensíveis.

Será que, pela primeira vez, um toque chegou até minha alma através de sua delicadeza e mansidão?

Será que encontrou você o caminho oculto de meu coração que leva até mais dentro, até a dor de ser, até a parte imortal milenar e lembrou-lhe que é capaz de amar?

A que natureza pertence este sentimento que amacia, suaviza, transforma, sensibiliza, torna intocáveis a pele e o pensamento?

O que você acende, faz existir, torna possível?

Será que me sente com a inteireza da alma, jogou-se sem saber neste abismo em que caio feliz?

 

 

Inspirado na pintura “Dádiva”, de Alba Vieira.

 

criado por shintoni    12:11 — Arquivado em: Ana, Arte sob Novo Olhar, Dádiva, Poesias, Resposta

Se Minha Criança Sofre… - por Ana

 

 

Os receios de criança

que persistem em nossas vidas

são lixos a jogar fora…

Vide a estrada percorrida:

 

seu corpo cresceu, mudou,

você amadureceu

em outros tantos aspectos

dentro do seu próprio eu;

 

passou por problemas diversos

com coragem os enfrentou;

sofreu com tristezas, perdas…

e com força as encarou;

 

cresceu profissionalmente

às custas do próprio valor;

ajudou tantas pessoas

com carinho e com amor.

 

Foi crescendo no tamanho

sem perceber que, a seu lado,

há uma menina pequena

que precisa de cuidado

 

e arrasta, pesadamente,

com as pequenas mãos feridas,

temores, medos, pavores

que lhes dificultam a vida.

 

Por vezes ela te domina

com seu pessimismo aprendido,

isto arrasa a alegria,

faz tudo perder o sentido.

 

Ela não pode influenciar,

você nela não deve crer;

pare, adulta, para ouvi-la,

para que ela possa viver

 

leve, como veio ao mundo,

alegre, feliz, satisfeita,

risonha e brincalhona,

uma criança perfeita.

 

Coloque a menina no colo,

cuide dela, beije, abrace,

console, acalente, sorria,

olhando-a face a face.

 

Diga que tudo passou,

“Das tristezas cuido eu,

cuido das dificuldades,

cicatrizo onde doeu”.

 

A ela cabe sorrir,

confiar na sua ação

assertiva nos momentos

em que lhes faltar o chão.

 

Diga a ela que aqui,

nesta terra de humanos,

há problemas, coisas boas,

sortes e desenganos,

 

mas que você constrói os dias

da melhor forma possível:

semeando alegrias,

afastando o que é terrível.

 

Mas se bobagens vêm à porta,

entrando sem permissão,

você cuidará de tudo,

pois esta é a sua função.

 

Que você sabe, convicta,

que cada pessoa uma vida;

as dores que são dos outros

não pertencem à sua lida.

 

Que você ajuda, se pode,

apóia, se for aceita,

colabora, tão amiga,

não faz corpo mole, não “deita”.

 

Mas que se algum mal surgir

dizendo respeito a vocês,

ela estará protegida

em seus braços, desta vez.

 

Desta vez e em outras tantas,

sempre que precisar,

pois adultos são pra isso:

defender e amparar.

 

Diga a ela que crianças

não devem se preocupar,

diga que não faz sentido

e explique, pra confirmar:

 

“Por que vai se preocupar

se o caso tem solução?

E por que se preocupar

Se é sem resolução?

 

É coisa tão sem propósito,

isto de preocupação…”

Esclareça a garotinha…

Acalme seu coração…

 

Depois de tranqüilizá-la

com todo afeto e calor,

faça uma coisa por ela,

definitiva, por favor:

 

desembarace a pequena

da tristeza do seu fardo,

jogue fora, de uma vez,

aquele lixo pesado.

 

Libere as suas mãozinhas,

cuide de seus ferimentos,

trate bem sua criança

e use bastante ungüento.

 

Depois de passado um tempo,

quando ela estiver curada,

toda boba, saltitante,

sentindo-se tão amada,

 

agradecendo com olhares,

te esticando os bracinhos,

pedindo colo, dengosa,

quando cansar no caminho,

 

te fazendo mil gracinhas,

sorrindo o tempo inteirinho,

te afogando em abraços,

te enchendo de beijinhos…

 

chame-a pra, com você,

novo hábito iniciar:

passar os dias da folhinha

sem temer o que virá.

 

Assim seguirá a vida,

mais tranqüila, finalmente,

envolta em felicidade

e segurança… plenamente.

 

 

criado por shintoni    10:57 — Arquivado em: Amor, Ana, Aprendizagem, Atenção, Consciência, Crescimento, Encontro, Medo, Mudança, Poesias, Recado

Parabéns, Minha Irmã! - por Ana

 

 

Ela é forte, poderosa,

Tem uma voz muito linda

E põe medo nas pessoas

Que não a conhecem ainda.

 

Desde bebê é assim:

Sempre soube o que querer,

Repleta de idéias próprias,

Só assim sabe viver.

 

É prática, decidida,

Inteligência invejável,

Veloz em palavras, ações,

E em beleza, admirável.

 

Mas também tem sentimentos

Que aparecem vez em quando,

Demonstra doçura e bondade,

Com o coração transbordando.

 

A vida pra ela não foi

Fácil, nunca! Não foi, não!

Mas sempre fez limonada

Mesmo com meio limão.

 

Em meio às dificuldades

Procura, incansável, a saída,

Não lamenta, chora ou desiste:

É uma guerreira na vida.

 

Além disso, sempre encontra,

No campo espiritual,

O sentido dos revezes

Do seu caminho atual.

 

Acredita em Deus com fé,

Com quem fala em oração…

Seu chaveiro é miniBíblia,

Que está sempre em sua mão.

 

Ela tem duas meninas:

A Priscila e a Dandara.

Uma é livre, divertida,

A outra é séria e encara.

 

E ainda há a Peluda,

Cachorra branquinha e mimada,

Que também é da família,

Que como pessoa é cuidada.

 

Então, esta é minha irmã,

Em poucas palavras breves,

Pois não cabe biografia

Em poesia que se escreve…

 

Hoje faz aniversário,

Mais um ano aqui passou…

Cumprindo o seu destino,

Da forma que Deus mandou.

 

O que desejo, todo dia,

Desejo hoje também:

Que a vida não seja tão dura,

Que se instale algum Bem

 

Nos seus dias tão chuvosos…

Que o seu céu possa se abrir,

Que desçam anjos bondosos

Que façam você sorrir.

 

E enquanto eles não vêm,

Seja feliz como der…

Admiro a sua força,

Minha querida Ester.

 

 

criado por shintoni    10:46 — Arquivado em: Amores de Minha Vida, Ana, Feliz Aniversário, Poesias

25 janeiro 2009

Isso é Pra Quem Pode! - por Ana

 

 

Oba! Ganhei fã-clube!

Muito obrigada, ó Casé!

Cê viu só, dona Raquel?

Se tu não qué, tem quem qué

 

Ler as palavras que escrevo

Na maior inspiração,

Mesmo que pra responder

À sua má-criação.

 

E atendendo ao pedido

Que foi feito por Casé,

Retiro o que decidi:

Eu volto, dou marcha à ré.

 

Agora… eu só não sei

Se eu sou ninja ou samurai…

Acho que escolho o segundo,

Pois te corto sem um ai.

 

Então, sua ninja potiguara,

Traz arco, flecha, tacape,

Vem, cai dentro, se puder,

Duvido que tu me escape.

 

E pode complementar

Com estrelas assassinas,

Correntinhas e ventosas…

Só meu olhar te elimina!

 

Eu posso lutar com espada,

Usar lança ou bastão,

Mas, pra quebrar teu galho,

Eu vou duelar na mão.

 

Sou samurai de respeito,

Pela honra eu me guio,

Ao contrário de uns e outros…

Seu ninja escorregadio

 

Que posta bobagem à beça,

Sempre com o sai-não-sai…

Que vai ficar, todos sabem,

A me atentar com seus ais.

 

Me falta criatividade?!

Então tu não sabe ler!

E se sabe, tá provado:

Não consegue compreender!

 

Ainda parte pra agressão:

Vem me chamando de insana!

Vai tomar banho de rio,

Vai brincar com a tua iguana!

 

Feliz eu sou, e é muito!

Tanto!… Que nem você,

Com sua conduta imprópria,

Consegue me aborrecer.

 

E todo mundo já viu

Que tu sabe algum inglês,

Não precisa ficar mesclando

Esta língua ao português.

 

Eu acho que tu faz isso

Só pra me provocar,

Pra lembrar lá do início,

Pra coisa não esfriar.

 

E quem foi que falou em zen?

Tu tá pirada, guria?

Tenho é muita paciência…

Coisa que ninguém teria…

 

E eu não preciso apelar,

Perder tempo com quimera,

Por isso te dou as costas

E vou, triunfal, pra galera!

 

Agradeço os elogios,

Os aplausos da platéia!

Sinto muito, Passa-Tempo,

Vou continuar com a idéia

 

De duelar com essa índia:

Equilíbrio da flecha é a pena.

A dela tá torta, doida;

A minha, certeira, envenena,

 

Faz cair, de vez, ao chão,

A nipônica xavante!

Vai jazer de morte súbita!

Não há pajé que te levante!

 

 

Resposta a “Pedido”, de Casé Uchôa;

“Esclarecimento” e “…E Tenho Dito”, de Raquel Aiuendi;

“Julgamento e Desafio”, de Passa-Tempo.

 

criado por shintoni    11:05 — Arquivado em: Ana, Para Rir, Poesias, Resposta

24 janeiro 2009

Desafio Feito e Aceito - por Ana

 

 

Do linguajar do seu pai

Não me lembro mais direito…

E mesmo que me lembrasse

Eu não faria bem feito.

 

Alfinetar o seu pai,

Além disso, é mó furada:

Ele entra ferrenho na briga,

Com aquela fala arretada.

 

Mais que tudo, ainda por cima,

Você não pode esquecer:

Quem cutuca superior

Tá pedindo pra perder.

 

O seu pai é Super-homem,

O seu pai é cientista,

Perto dele eu sou ameba

E nem tenho kriptonita…

 

Fui falar em super-herói…

Tá pintando possessão:

Eu quero largar o verbo,

Partir pra brigar na mão.

 

Baixaram Lex Luthor,

A Ursa, o Non e o Zod,

Apocalypse, Parasita,

Metallo, Bizarro, Gog,

 

Superciborgue, Mongul,

Imperiex… tudo em mim!

Acho que vou encarar

Seu desafio até o fim.

 

Então, se você me lembrar

De algumas palavras-chave

Eu até posso tentar

Uns versos em que se encaixem…

 

Vou aproveitar a coragem,

Depressa me mande a dica,

Pois já diziam os antigos:

Quem não arrisca não petisca…

 

 

Resposta a “Julgamento e Desafio”, de Passa-Tempo.

 

criado por shintoni    10:46 — Arquivado em: Ana, Poesias, Resposta

23 janeiro 2009

Esplendor dos Chakras - por Ana

 

 

Eu te amo, régia claridade diante da qual me inclino em adoração, em desejo, em espera de teu movimento para mim e de teu sentimento para comigo. Curvo-me sem erguer os olhos, apenas sentindo fortemente tua presença e em êxtase por imaginar que teu olhar possa voltar-se em minha direção e me perceber.

Eu te amo como um vassalo que é só obediência e fidelidade.

Eu te amo como uma igual que se impõe pela sedução e altivez.

Eu te amo como a criança deseja o colo seguro.

Eu te amo como a sabedoria leva a infância pela mão.

Eu te amo como a curiosidade observa o novo.

Eu te amo sem opção, e se assim não fosse, por ela seria.

Eu te amo porque vivo e enquanto viver te preciso.

Eu te amo de muitas formas, com todas as minhas formas, profunda e intensamente.

Eu te amo porque apenas existo dentro desse amor.

Eu te amo por teus olhos, lábios, voz, cabelos, rosto, pelos gestos todos, por teu corpo e como me recebe e se doa, pelas inquietações, dúvidas, certezas, pelos temores infantis, teimosia cega, explicações falseadas, pela ansiedade exógena e tensão congênita, pela busca irrefreável e lacunas exigentes, por tua linda sensibilidade que permeia tudo aquilo que és.

Eu te amo simplesmente porque minha alma só conhece a plenitude por ter encontrado a tua.

 

 

Inspirado na pintura “Esplendor dos Chakras”, de Alba Vieira.

 

criado por shintoni    20:46 — Arquivado em: Amor, Ana, Arte sob Novo Olhar, Paixão, Poesias, Resposta
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