13 fevereiro 2009
Inverno é bom
de frente pra fogueira
com uma dose de rum.
Seria conhaque
não fosse meu gosto,
mas tem coisas que não podem faltar.
O calor humano
O aconchego dos corpos
Pra aguentar o frio de nossas almas
O calor de palavras dóceis
Pra acalorar o gélido pavor
dos temores da vida.
A quentura de um abraço carinhoso
Pra lembrar que sempre há um canto
quentinho
pra passar a chuva
Uma esfregadinha entre as mãos
entrelaçando-as
pra saber que sempre tem uma casa
Protegida da neve constante
que cai lá fora
E a gente ainda pode arranjar
um cobertor bem quentinho,
esquentar os pezinhos,
tudo bem juntinho.
E esperar que a frieza em geral passe
conservando o calor do nosso carinho
chamando por apelidos
arengando sem dizer nada com nada
até que a sobriedade indiferente
se extinga
se esvaia
num copo de rum
na loucura do nosso calor
que esquenta o mundo
de cada um.
25 janeiro 2009
Lá estava ela
encolhida
rígida
no meio do parque
sob um abrigo
que não abrigava
Gente em volta
do rígido corpo
Morreu bebendo
pra matar o frio
que matou a ela
Morreu sozinha
num lugar bacana
de carros bacanas
de gente bacana
em prédios bacanas
Num mundo sacana
5 dezembro 2008
Sentada no jardim de minha casa olhava o céu. Nuvens escuras manchavam o firmamento, cobrindo com seu negro manto nuvens brancas que pouco a pouco se apagavam. O vento soprava, movimentando as folhas das árvores, despetalando as mais belas rosas, e cada pétala que caía era como uma lágrima que a roseira derramava, lágrima de dor e de saudade. A dor de perder o seu encanto, a saudade da primavera querida onde as flores vicejam com graça e magia, a primavera que há muito já se foi cedendo lugar ao verão. Agora é o inverno que chega, o reinado das chuvas, dos ventos, do frio… A natureza é triste, vazia, sombria. Os pássaros não procuram mais os galhos protetores e acolhedores de uma árvore para fazer os seus ninhos. As flores já não vicejam, as plantas já não sentem o fulgor de um raio de sol que brilha no horizonte vindo, de momento a momento, acariciar as suas flores, as suas folhas e o seu caule. Tudo é frio, tudo é solidão. As crianças não mais passeiam pelas praças brincando, pulando, ouvindo o cantar mavioso dos pássaros, admirando a beleza das flores, espalhando alegria por onde passam. Nem ao menos este consolo resta às plantas: a alegria de sentir a presença das crianças, que são a primavera da vida, enquanto reina, na natureza, o triste e doloroso inverno!
Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em comentários, que nós postaremos.